Crítica Resident Evil 2

Quando criança, meu maior medo era os zumbis de Resident Evil. Nasci em 1996, o mesmo ano de lançamento do primeiro game da franquia e fiquei anos sem conseguir jogar os tão famosos jogos de zumbi da Capcom graças a esse medo. Não é atoa que o primeiro Resident que zerei, foi o 7 e só agora pude vivenciar a genialidade e ansiedade de Resident Evil 2 em seu remake.

Que o novo Resident Evil 2 é incrível, todos estão cansados de saber, não é difícil pontuar todas as qualidades do game, elas não são poucas e a maioria é possível ver de cara. Entretanto, por todo o jogo, o maior e mais impressionante feito de Resident Evil 2 cobriu minha experiência sem eu perceber. O novo jogo da Capcom é construído de uma maneira impressionante e consegue guiar os sentimentos do jogador e brincar com a ansiedade que está dentro de todos nós.

Tudo, inclusive Mr X, parecem artesanalmente posicionados na campanha para movimentar e moldar o que o jogador sente. Desde o som, até a posição dos zumbis e lickers parecem ser postas de uma maneira que não cria apenas uma curva nas emoções e aprendizado do jogador, mas uma verdadeira montanha russa de sentimentos.

Mr X Resident Evil 2

É algo além do sentimento de segurança que na versão original aos poucos o jogador conquistava. A partir do momento que zumbis não morrem fácil e continuam no exato lugar que você deixou e Mr X praticamente não para de te seguir, a ideia de estar seguro e sabendo o que está fazendo é muito mais complexa e inconstante. Na real, o remake de Resident Evil 2 dá um pequeno momento de confiança só para o jogador tomar um susto ou cometer um erro sozinho. Algo que não é nada novo, mais é feito com maestria.

Parte dessa maestria em criar  ansiedade nos jogadores, vem das mecânicas visuais perfeitas e envolventes. Desde Mr X perder o chapéu pra sempre, ou um zumbi quando perde a perna, ficar o jogo inteiro se arrastando aumentam a sensação de realmente estar na situação de Leon ou Claire. Outro efeito que aumenta isso, é o como partes do corpo soltam, queimam ou explodem, algo entre o fantasioso e o real, que consegue deixar o jogo ainda mais divertido e parecer ainda mais crível

Zumbi Resident Evil 2

No fim, ele é um jogo que sabe brincar com a ansiedade do jogador de maneira natural. Sem dificuldade, a Capcom consegue criar momentos pacíficos, de ação ou tensão e aos poucos moldar sentimentos diferentes do jogador. De desespero até completude, sem perceber, o jogador é carregado pelas campanhas do novo  Resident Evil 2, o tornando não apenas um exemplo de ótimo jogo, mas também um aula de como criar tensão e ansiedade em um vídeo game.

One thought on “Resident Evil 2 – Uma aula de Ansiedade”

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