Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Yasha: Legends of the Demon Blade, desenvolvido pelo estúdio taiwanês 7Quark e publicado pelo mesmo e pela Game Source Entertainment, é um roguelite de ação que se passa em um Japão de um período Edo fantasioso.
Antes previsto para outubro de 2024, depois 24 de abril de 2025, o jogo está finalmente lançando agora em 14 de maio. Eu conheci o jogo ano passado mesmo, só não lembro se foi em rede social ou em algum evento, mas lembro dele ter me chamado atenção pelo seu estilo, temática e jogabilidade.
Tivemos a oportunidade de jogar antecipadamente a versão de PC e agora te conto como foi minha experiência matando demônios (e sendo morto por eles).
No quesito história, Yasha tem uma particularidade, são três enredos distintos que o jogo conta. Cada protagonista tem sua história de forma isolada, funcionando como se cada uma fosse uma realidade diferente, em vez de ser apenas uma história com três pontos de vista diferentes.
Os inimigos se mantêm, até pela questão de jogabilidade, os personagens que aparecem também são os mesmos, mas as configurações de cada um, como função, relevância, personalidade e até idade, vão depender de quem você estará jogando.
Uma das protagonistas é a Shigure, uma discípula de samurai, que treina para um dia servir de protetora de sua vila. Ela parte em sua jornada para procurar seu mestre que desapareceu e, no caminho, tem que enfrentar os demônios comandados pelo Raposa de Nove Caudas. Ela utiliza uma katana em batalha, levando duas consigo e podendo trocar entre elas em combate.
A outra protagonista é a Sara, uma emissária de Oni, que após falhar em missão é expulsa do inferno e, para tentar conseguir voltar, tenta capturar o Okami. No meio da sua busca, ela se encontra com Shigure e tem que lidar com os demônios do Raposa de Nove Caudas. Ela é usuária da dupla-empunhadura, utilizando duas espadas em combate, podendo utilizar uma diferente em cada mão.
Finalizando nosso trio de protagonistas, temos Taketora, o demônio samurai, que serve de general do castelo da região, protegendo a pequena princesa Shigure. Após o ataque da Raposa de Nove Caudas ao castelo, ele foge com Shigure, deixando o seu mestre para trás, e então um tempo depois acaba voltando para acertar as coisas. Em batalha, ele utiliza seus fortes punhos e um arco e flecha, levando dois consigo e podendo trocar entre os arcos em combate.
Como puderam reparar, Nove Caudas é um vilão constante nas três histórias e Shigure sempre aparece, apesar de mudar muito sua função em cada uma. Já Tara e Taketora são os únicos personagens que não estão em todas as histórias, aparecendo apenas em suas próprias campanhas.
Os três enredos se justificam, porque realmente diferem, apesar do mesmo elenco basicamente. A Shigure protagonista é totalmente diferente da Shigure das outras campanhas, até o Nove Caudas chega a mudar sua personalidade.
Com isso, ter 3 por 1 não chega a ser ruim. A única parte que eu não gosto muito dessa dinâmica é que você tem três saves no jogo, então os progressos são individuais, em vez de um progresso meio compartilhado caso fosse uma história só com três personagens.
Não chega a ser horrível também, porque não é tão difícil progredir com os personagens, mas acho que isso deixa um pouco isolado cada personagem, criando uma discrepância mais lá na frente, quando você claramente vai ter seus favoritos.
As três histórias são de certa forma simples, mas são legais de acompanhar. Os personagens são fáceis de gostar, as campanhas passam sentimentos diferentes também, algumas sendo mais emotivas, outras mais cômicas, como a da Tara, que tem momentos de piadas bem fortes, como as configurações dos demônios nesse mundo ser um sistema capitalista, tirando sarro disso.
A duração delas também são todas iguais, claro que o tempo de conclusão vai depender de você concluir as runs, mas em todas elas você tem um número parecido de diálogos e cutscenes e tem que terminar 3 runs para terminar aquele enredo.
Elas são contadas no estilo de visuais novel, onde temos as imagens dos personagens e a caixa de diálogo, podendo conferir o histórico de falas, e em alguns poucos momentos algumas cutscenes feitas com desenhos bem bonitos. Infelizmente, temos bem pouco voice acting, mas o que tem é bom.
Teve dois pontos que senti como negativos, sendo o primeiro a sensação de que as histórias não combinassem com um roguelite. Eles tentam justificar os personagens renascerem, mas sinceramente não me desceu não, ficou algo esquisito.
O outro ponto foi a localização, que além de alguns erros gramaticais, partes não traduzidas ou com erro na exibição, me pareceu meio esquisita em certas partes. O jogo infelizmente não está em PT-BR, mas ao menos está em PT-PT.
Antes que zoem, não foi isso que me causou estranheza. Coincidentemente, eu moro em Portugal, então estou acostumado já e, mesmo no contexto do português de Portugal, algumas concordâncias ou estruturas de frase estavam estranhas.
Enfim, no geral, achei o saldo de história positivo. Essa proposta, de ter três enredos totalmente diferentes, é interessante. Tem suas estranhezas e um problema aqui ou ali, mas é legal sim. Me senti fisgado para ver cada uma das campanhas e entretido enquanto fazia isso.
A jogabilidade do jogo é de certa forma simples. Em seus controles, temos um botão para ataque leve, outro para ataque pesado, o para realizar arrancadas, um para aparar, outro para interagir com objetos e personagens e um último para trocar de arma.
Então, vamos realizando combando ataques leves e pesados, enquanto desviamos ou aparamos os ataques inimigos. Os combos são bem simples, existindo o combo de ataque leve ao atacar 3 vezes, o de ataque pesado ao atacar 3 vezes ou o que no combo de ataque leve você termina com um ataque pesado. Além disso, usar a arrancada pode realizar um golpe também e tecnicamente o botão que apara é um golpe também.
Já quando aparamos um oponente, podemos em seguida realizar um contra-ataque ao apertar o botão de aparar novamente. É possível também segurar o botão, carregando a aparada, e caso a gente acerte o tempo, realizar um contra golpe ainda mais forte.
Como na maioria dos jogos atuais, aparar aqui é bem forte, só que não é necessário para finalizar (ao menos as histórias). O tempo aqui me é um pouco esquisito, tendo mais que antecipar o golpe do que reagir a ele em si. E caso a gente erre, o dano que recebemos muitas vezes não vale o risco de tentar aparar, porque depois pode ser difícil recuperar essa vida perdida.
Então, ao mesmo tempo que aparar é bem útil e ajuda bastante, já que ele imobiliza o inimigo, eu completei mais de uma run sem usar um, então da para jogar sem, caso você tenha muita dificuldade com o tempo.
Falando em concluir runs, o jogo aqui começa muito fácil e um tanto esquisito. A primeira sensação que você vai ter é de uma jogabilidade simplória e nem um pouco empolgante, só que isso já some na segunda tentativa. Como dito, cada personagem leva consigo duas armas, que podem ser trocadas na tentativa ou serão usadas ao mesmo tempo, e é aqui que o jogo se mostra de verdade.
Na primeira jogada com cada personagem, você vai avançar, destruir as duas primeiras salas, o primeiro chefe e pensar: “tá e cadê o desafio?”. Aí, na segunda seção, vai começar a ter mais dificuldade, porque o personagem vai estar cru e com a arma sem nada. Então, quando você morrer, vai conseguir gastar os primeiros pontos e craftar as primeiras armas e então vai poder destruir na run já.
As outras armas, que você pega depois do início, vão possuir um efeito especial, e como você sempre vai estar com duas, você pode tentar combar as habilidades dela. Existem melhorias que pegamos na run que servem justamente para criar ou melhorar a sinergia entre as armas.
Funciona legal essa dinâmica e dá gosto de tentar criar builds diferentes misturando as armas. Existem as armas mais diretas de dar dano, seja com força bruta, aplicando status ou com alguma gimmick mais específica, como as que envolvem aparar com constância, ou armas de suporte.
As possibilidades são boas, mas no final eu acabei fazendo meio que a mesma build para cada personagem. Pegava a arma de fogo, que é quebradinha em dano direto e aplicando status, e uma segunda arma de suporte, que me dava escudo ou vida.
E nessa dinâmica, eu nem ficava trocando de arma, só usava a de fogo e buscava as melhorias que me permitissem usar as habilidades da arma de suporte com a outra arma que carregava.
No quesito de progresso, o jogo funciona parecido com Hades, você seleciona uma melhoria da arma ao concluir a sala e então avança para a próxima. Não temos opções de porta aqui, existindo apenas um caminho. Os inimigos vão dropar moedas e almas, que as moedas servem para gastar na run e as almas para melhorar o personagem fora dela.
Os inimigos também dão ingredientes, que usamos para comprar um ramen durante a run. Esse ramen vai dar 3 melhorias variadas de status, com mais opções sendo desbloqueadas à medida que coletamos ingredientes. Os inimigos também dropam itens de arma usados para craftar as diferentes armas e posteriormente melhorá-las.
O jogo começa na praia, onde temos dois chefes, um mais simples e o chefe mais fortinho da área mesmo. Na segunda parte temos a floresta, que é o mesmo esquema. Por fim, chegamos ao castelo e lá só tem o chefe da área, então vamos para uma última sala e encaramos o chefe final.
Após cada chefe, vamos para uma “sala segura”, onde podemos recuperar vida, comprar amuletos, melhorias de arma ou ramen e também podemos tentar concluir um desafio que entrega um amuleto no final. Os amuletos podem ser de benção, onde apenas dão efeitos positivos ou proibidos, onde dão um efeito positivo melhor, mas que também têm um efeito negativo atrelado. Sempre podemos escolher entre um de bênção ou proibido quando ganhamos um amuleto.
Como dito, no começo o jogo parece bem fácil, na segunda run dá para terminar de boa. Só que a cada vez que finalizamos uma tentativa durante a campanha, a próxima vai ser mais difícil. Ou vai ter mais inimigo, ou eles vão dar mais dano, ou vão ter escudo, ou tudo junto.
Então, é um desafio que começa bem fácil, mas depois vai aumentando a dificuldade e então vira de fato um desafio interessante. Depois de finalizada a campanha, o jogo ganha o sistema de aumentar a dificuldade, mesmo estilo das caveiras de Hades, então dá para ir se desafiando bem. As melhorias no começo são baratas também, para dar suporte ao jogador durante a campanha, mas logo começam a ficar bem carinhas, exigindo um bom farming para completar tudo.
Então, eu acho que é um jogo bem acolhedor para quem está no início e quer ver a história e depois vira desafiador mesmo para quem busca isso. Não achei um problema isso, porque as campanhas não são longas e, durante elas, você usa para se acostumar com o jogo e os inimigos.
Uma coisa que me causa estranha é que no menu para melhorar o personagem a gente tem duas abas: uma geral e a do personagem em si. Só que para mim isso não faz muito sentido, porque aquele save só tem um personagem, então a aba de geral já é do personagem em si.
Eu entendo que a aba geral é para dizer que são as mesmas melhorias em qualquer das campanhas, mas ainda me causa uma estranheza, porque dava para ser tudo uma página só. Enfim, não é exatamente um problema, é mais eu sendo chato mesmo.
Uma coisa que não gosto é como está configurado o sistema de melhorias de arma que recebemos ao fim da sala. Você pode comprar a melhoria geral de poder resetar as escolhas, mas é algo bem caro, e o jogo não tem um sistema de “segurança”, então teve muita run que eu não tinha as melhorias no máximo, mas não vinha a opção de escolher um upgrade, só vinha melhoria nova e eu não queria trocar.
Isso criava uma sensação muito de “essa sala foi inútil”, já que eu saia sem ter recebido nada novo. Se ao menos tivesse uma garantia de um slot vir com uma melhoria para dar upgrade ou caso eu não escolhesse nenhuma pudesse ganhar dinheiro ou amuletos no lugar. Qualquer coisa que não me deixasse na sensação de não ter sido recompensado.
Yasha: Legends of the Demon Blade conseguiu me fisgar e me deixar entretido. Apesar de seu começo esquisito, sendo meio simplório e extremamente fácil, o jogo vai evoluindo bem à medida que avançamos e, quando você menos perceber, estará preso em seu loop de jogabilidade. A sua história, que entrega três enredos em um jogo só, também funciona e deixa o jogador engajado, ao mesmo tempo que não canso, já que cada parte tem uma boa duração.
Apesar disso, não escapa de algumas deslizadas, que não estragam a experiência, mas que incomodam aqui e ali. No geral, o saldo que o estúdio indie 7Quark conseguiu fazer aqui é positivo. É um jogo que me pegarei voltando para jogar ocasionalmente e fico na curiosidade de como serão as builds loucas que serão feitas pela comunidade.
Yasha: Legends of the Demon Blade
7Quark & Game Source Entertainment
7Quark
PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Nintendo Switch