Crítica: Raidou Remastered The Mystery of The Souless Army – Quase um remake

Por Jean Kei

Nota: 8

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Raidou Remastered, como o nome sugere, é um remaster do jogo original de PS2 com nome gigante: Shin Megami Tensei: Devil Summoner Raidou Kuzunoha vs. The Soulless Army. O jogo foi marcante por ser um Action RPG, algo novo para a franquia.

Tenho bastante carinho pela duologia do Raidou e sempre enrolava para revisitar, e esse remaster foi a desculpa perfeita. E com as qualidades de vida e mudanças que o jogo teve, talvez essa seja a maneira definitiva de experienciar o primeiro jogo.

Do que se trata esse jogo do Raidou ai?

Aqui você joga com Raidou Kuzunoha XIV, um jovem invocador de demônios de um clã cuja missão é proteger a capital do Japão pelas sombras. O jogo se passa no fictício ano 20 da era Taisho.

Na história do Japão real, a era Taisho durou 14 anos, e essa linha alternativa do jogo possui motivos mais profundos. O jogo é um mistério de detetive, no qual você começa investigando o caso de uma garota que quer se matar e isso vai desenrolando para algo muito maior. O jogo é estruturado em “episódios”, o que o deixa com um caráter mais ou menos episódico. Sempre que você vai desvendando uma coisinha, ela vai se encaixando num quebra cabeça maior.

Aliás, uma das mecânicas principais é como você utiliza os demônios, que para além do combate, servem para auxiliar na investigação. Você pode fazê-los investigar sozinhos (pois são invisíveis para humanos normais) ou utilizar habilidades específicas deles. Alguns demônios sabem ler mentes, outros seduzem, outros acalmam ou agitam… Enfim, há uma variedade de opções com demônios, mas que senti falta de algumas serem mais utilizadas.

Por ser um jogo de investigação focado num só local, ele é bem centrado. Você vê constantemente os mesmos personagens e se apega a eles, há uma dinâmica simples, porém muito legal entre eles.

Acho até legal como ele consegue fazer muito com pouco. Em dado momento você vê um personagem que pouco é apresentado sobre ele, mas o jogo deixa implicações bastante profundas.

Também vale notar que mesmo se passando numa realidade alternativa, o jogo, mesmo que sem aprofundar nomeando nada diretamente, tem um quê crítico ao fascismo e comenta sobre guerra e crimes pré-segunda guerra.

De fato, a narrativa desse jogo tem muito pano pra manga, mas é difícil comentar sobre sem dar spoilers de forma aberta.

E o que esse remaster tem de diferente?

As duas principais mudanças do remaster estão no combate e nos cenários refeitos. O combate assemelha-se ao segundo jogo, que é menos travado. Mesmo com as mudanças, fico feliz em dizer que o jogo ainda é bem fiel à experiência original. Ainda que tenha o combate mais fluido e com mais ação, o remaster se assemelha muito com a experiência do original. Dito isso, uma mudança perceptível que ficou estranha é a retirada de encontros aleatórios. Agora você pode ver os demônios que potencialmente irá enfrentar e estão em locais mais específicos. Isso muda um tanto o ritmo do jogo, fazendo com que ele seja terminado relativamente mais rápido que o original até. Essa mudança de dinâmica de encontros também facilita grind, já que quando você está em um nível muito acima, só de bater em um demônio ele é automaticamente derrotado.

Algo que mantiveram do original e fizeram só alguns ajustes (para o bem) é com a câmera fixa. O jogo brinca bem com ângulos e faz troca de câmeras até que constantemente, mas você nunca se sente perdido.

Terminei esse jogo fazendo todo o conteúdo opcional disponível na primeira run com pouco mais de 35 horas, o que é curto comparado a outros RPGs.

O jogo também não é muito difícil. Como de praxe da série, o início é mais difícil do que o final, pois quanto mais recurso você tem e mais acostumado com o jogo, maior é sua facilidade através dele.

Enfim, um jogo muito gostoso

Eu terminei me apaixonando de novo por Raidou. A estética anos 30 dele é estilosa, os personagens são simples, mas carismáticos e a aventura é bem centrada. Fiquei pilhado para revisitar o segundo jogo e ficaria muito feliz em ver um Raidou 3 no futuro.

A gameplay é um jogo de ação simples, mas bem feitinho, e traz até aquele quê nostálgico da era PS2.

Raidou XIV é top personagens maneiros e não me importaria de ver mais dele e seus camaradas.

Ah, e devo botar como negativo a ausência de uma tradução em português do jogo, especialmente considerando que jogos recentes da Atlus costumam a ter.

Nome do jogo:

Raidou Remastered The Mystery of the Souless Army

Publisher:

SEGA

Desenvolvedora:

Atlus

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch

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