Crítica: TurretGirls – Armas, Aliens e Lingerie

Por Matheus Megazao

Nota: 8

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Todo tipo de arte pode ser um meio poderosíssimo de transmitir mensagens, sentimentos, e até mesmo a história de povos inteiros. É através da arte que o ser humano se comunica de forma atemporal entre si, e é por ela que a enorme maioria de nós encontra significado em meio a uma existência ao mesmo tempo tão breve e tão cheia de pequenas experiências momentâneas.

Mas a arte nem sempre precisa ser tudo isso. Às vezes não é uma visita ao MASP que vai curar seu vazio existencial, e sim ir ver o terceiro filme de um super-herói em versão dublada e sem ter visto nenhum outro. E, às vezes, é uma partidinha de TurretGirls onde você vai amassar hordas de criaturas bizarras, montar um arsenal, ver números subindo e, quem sabe, ver ao vivo a lingerie que escolheu para a protagonista.

Uma garota e uma torreta

TurretGirls é um jogo muito simples. Aqui você controla uma garota montada em uma arma que se move exclusivamente no eixo horizontal para atirar em ondas de alienígenas e proteger alguns geradores, com o objetivo de sobreviver um número suficiente de dias para carregar um super canhão capaz de exterminar as ameaças. O jogo disponibiliza três fases com mapas e inimigos diferentes que desbloqueiam um modo infinito cada vez que você passa de um. Não é uma quantidade massiva de conteúdo, me levando apenas 3 horas para vencer os 3 mapas, mas sua vida útil pode ser prolongada jogando os modos infinitos com o objetivo de desbloquear mais armas e acessórios para sua garota.

Antes de iniciar uma rodada você precisa escolher uma arma e algumas peças de roupa para sua personagem, que além de mudarem a estética, carregam alguma porcentagem de bônus em áreas como dano, munição, alcance, etc. Todo jogo você começa com apenas dois dos geradores mais fracos, e precisa matar o maior número de alienígenas enquanto os defende para gerar dinheiro e protege sua personagem de ataques que rasgam peças de roupa quando a atingem. Ao final de cada dia (que conta como uma “onda” de inimigos), você tem a chance de comprar 3 melhorias, que podem ser novas armas, novos geradores, ou bônus para algum stat da garota ou dos geradores. Tudo aqui vai ser muito familiar pra quem já jogou um roguelike e/ou um tower defense, mas TurretGirls consegue encontrar um balanço particularmente interessante com os geradores.

Os geradores servem como torres de um tower defense, o que significa que muitos deles tem formas de contribuir com você causando dano aos inimigos. Porém também são eles que contribuem para o objetivo final na forma do super canhão, gerando uma quantidade de energia ao final da rodada que carrega lentamente a porcentagem da arma. Assim, os geradores mais eficientes em eliminar inimigos tendem a produzir menos energia, o que vai te forçar a encarar mais dias e colocar toda aquela rodada em risco. Não vou dizer que o jogo é particularmente difícil, afinal se você tem um mínimo de proficiência com esse gênero é possível pensar em combinações de armas e geradores que basicamente garantem sobrevivência, mas é ao tentar otimizar suas tentativas para reduzir o número de dias até a vitória que o jogo oferece desafios interessantes de sorte e habilidade.

Simples para bem e para mal

Apesar do que o título possa te levar a crer, porém, só existe uma uma garota em TurretGirls. E enquanto o jogo oferece um bom número de combinações de armas e itens para customizá-la, eu sinto que ter mais opções de garotas, nem que fossem mecanicamente similares, seria um ótimo incentivo para desbloqueios, afinal as partes individuais não se destacam tanto em meio à ação frenética das partidas. Outro aspecto que contribuiria para esse aspecto é que o jogo é visualmente muito interessante. Não acho que ele seja “convencionalmente” bonito, mas o uso de cores vibrantes com o estilo cell shaded destacam muito bem a personagem e alguns projéteis. O mesmo não pode ser dito dos inimigos, que em geral são bem feios e genéricos, mas pelo menos o jogo faz um bom uso das cores deles para indicar o tipo de dano que cada um dá, de forma que os deixa surpreendentemente funcionais. Já a trilha sonora possui bem pouca variedade e logo foi ser substituída por algum podcast ou livestream enquanto eu jogava, mas era surpreendentemente boa durante as partidas que a escutei.

Eu já posso adiantar aqui que TurretGirls não vai concorrer a nenhuma premiação de jogo do ano esse ano, porém ele crucialmente não é o tipo de jogo que busca algo assim. É um jogo simples e barato, que aplica muito bem os aspectos de um gênero naturalmente divertido em algo descompromissado e levemente pervertido. Assim, ao avaliar um jogo como esse, é necessário julgá-lo pelo mesmo prisma pelo qual ele se apresenta.

Sendo assim, seja pra moer hordas de alienígenas com mais projéteis do que seu pobre processador aguenta, pra otimizar sua produção de energia e capacidades de defesa, ou só pra ver uma menina bonita de calcinha, TurretGirls consegue divertir de forma descompromissada, mesmo que pouco memorável.

Nome do jogo:

TurretGirls

Publisher:

DANGEN Entertainment, Game Source Entertainment

Desenvolvedora:

NANAIRO ENTERPRISE

Plataformas Disponíveis:

PC

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