Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Se uns anos atrás alguém me dissesse que em 2025 estaríamos jogando uma versão oficial de Ys vs. Trails in the Sky, com direito a online funcional e disponível em diversas plataformas, eu chamaria essa pessoa de louca. Mas, bem, aqui estamos.
Ys vs. Trails in the Sky: Alternative Saga é o crossover entre as duas franquias da Nihon Falcom, lançado originalmente em 2010 para o PSP. Trata-se de um jogo de luta com combate baseado em Ys SEVEN e que reúne diversos personagens de diferentes IPs da empresa.
O jogo se passa no mundo de Xanadu e nossos heróis são convocados para derrotar o Dragon King Galsis. Junto de uma estranha criatura chamada Lappy, os personagens precisam avançar nos estágios daquele mundo e chegar ao topo do Castelo Strangerock.
A premissa e estrutura da campanha são bem simples: você encontra os personagens de Ys e Trails, que estão sendo controlados por Galsis, os derrota e convoca para o seu time até chegar ao grande vilão da história. Além de Adol Christin, protagonista de Ys, e Estelle Bright, protagonista de Trails in the Sky, podemos também jogar a campanha com outros três personagens, Geis, Kloe e Tita. A história base é a mesma, mudando apenas a ordem dos personagens com quem você luta e as interações entre eles. Não espere muito da história, ela está aqui apenas como pano de chão para juntar esses personagens e pode ser bem repetitiva, ainda que a duração dure em torno de duas horas para cada personagem.
Como mencionei acima, o jogo usa o sistema de combate de Ys SEVEN como base, então temos algumas peculiaridades, como o Flash Guard e Dash, que aqui consomem uma stamina própria ao serem utilizados. Os personagens de Trails têm suas skills baseadas em suas crafts enquanto os de Ys utilizam as mesmas do sétimo (na verdade, oitavo por causa do Origin, mas enfim) jogo da série. Os movimentos diferem bastante, então nunca parece que você está jogando com o mesmo personagem e apenas mudando a sua skin.
Uma coisa que o jogo tem é um sistema de equipamentos e upgrades, que podem ser adquiridos na loja. O jogo requer grinding, mas não é algo cansativo ou duradouro, ainda mais que tudo pode ser compartilhado entre todos os personagens. Por exemplo, ao acabar a história do Adol, eu posso utilizar os equipamentos e já melhorar meu ataque e defesa com o dinheiro que sobrou, e começar a história da Estelle bem mais forte, tendo apenas que farmar experiência.
Após terminar a campanha com um personagem, é possível recomeçá-la aumentando o level dos inimigos, para chegarmos ao level 99 com mais facilidade. No modo arcade, onde você vai lutando em sequência contra vários personagens, também gera experiência e dinheiro. Recomendo bastante, pois é um caminho mais tranquilo para upar.
Existe também um sistema de BP (Bracer Points) que você vai ganhando conforme cumpre alguns objetivos. Quanto mais você sobe no rank, mais recompensas vai ganhando, como novos personagens jogáveis para o modo arcade e online, ou novos personagens de suporte, de franquias que podem ser fora do eixo Ys-Trails.
É um jogo muito estranho, mas assim como The Legend of Nayuta: Boundless Trails, representa uma era da Nihon Falcom que dificilmente veremos outra vez. Tanto em questão de variedade de jogos e ideias quanto em questão musical. Ouvir arranjos da jdk band daquela época, e isso que foi bem antes de outros nomes consagrados se juntarem, me abriu um sorriso.
A trilha sonora é composta por músicas de vários dos jogos da companhia, sejam elas originais ou arranjos, mas as quatro músicas compostas exclusivamente para o jogo são ótimas.
Mas talvez o grande destaque desse jogo, no ano de 2025, seja simplesmente ele existir para as plataformas modernas, e não apenas isso, mas é um port ótimo.
Quando a refint/games, publicadora do jogo, anunciou que estava trazendo, todo mundo desconfiou, até porque a empresa surgiu na mesma hora, mas conforme o tempo foi se passando e mais informações foram divulgadas, tudo parecia bastante legítimo. O port ainda traz algumas das features que vemos nos jogos mais recentes lançados pela NIS America no PC, como a opção de mostrar a música que está tocando no momento.
O jogo usa de base a tradução feita pelo grupo de fãs Geofront, assim como os Zero e Azure lançados pela NISA, e é uma localização muito boa. Eu não utilizei, mas também há a opção de jogar com dublagem em inglês, com praticamente os mesmos dubladores dos jogos em que foram baseados.
Quanto ao online, que até o momento em que estou escrevendo não consegui testar ainda, o jogo conta com crossplay e rollback, então já está sendo algo mais competente que vários jogos de luta do mercado. Assim que testar o multiplayer, atualizarei o texto.
Ys vs. Trails in the Sky não é um jogo que eu consigo ver sendo um enorme sucesso, e acho que a refint/games nem espera isso, ou que vá aparecer em uma EVO da vida, mas só de termos esse jogo sendo modernizado e recebendo um tratamento mais do que ele necessário, é, no mínimo, empolgante. Espero que isso abra portas para vermos mais jogos da empresa, seja da era do PSP ou mesmo de épocas anteriores, sendo portados para os consoles e PC modernos.
Ys vs. Trails in the Sky: Alternative Saga
refint/games
Nihon Falcom
PC, Playstation 4, Playstation 5, Nintendo Switch