Mais Velozes e Mais Tenebrosos – Outros 9 Jogos Curtos para Jogar no Halloween

Por Matheus Megazao

A novela O Beijo do Vampiro saiu em uma época muito peculiar de minha vida, onde, no auge dos meus 7 anos, eu estava desenvolvendo meu primeiro gosto por coisas sobrenaturais e mais “adultas” em geral. Claro que nessa idade minha mãe não me deixava assistir episódios inteiros, mas o pouco que eu via na TV foi suficiente para que vampiros se tornassem minha personalidade por alguns meses (bem antes de Crepúsculo, vale ressaltar) e dominassem minhas conversas com amigos na escola. Mas, por mais que esse fascínio com o tema não tenha durado nem tanto assim, dá para traçar uma linha contínua pelos meus gostos em terror hoje em dia que começa exatamente no interesse súbito por essa novela.

Então, objetivamente, graças a O Beijo do Vampiro, aqui eu trago mais 9 jogos curtos de terror para curtir o Halloween em continuação ao texto do ano passado. Destaco novamente que a maioria das recomendações aqui é um terror mais psicológico, então se o jogo tiver sustos, perseguições ou coisas do gênero que causem tensão no jogador, eu vou destacar isso no texto.

petsitting – 15 minutos

Seu amigo foi viajar e pediu para você cuidar do pet dele, o cachorro, nome de sua lagarta gigante de estimação. Aqui você vai seguir instruções mais simples do que imagina para cuidar de um bicho tão exótico, enquanto tenta se aproximar dele e, naturalmente, lida com alguns imprevistos. Esse é um raro jogo que mistura estética de terror com comédia (uma mistura que raramente funciona para mim, inclusive), e que conseguiu tirar umas risadas sinceras de mim com sua progressão. É surpreendentemente leve e charmoso, assim como o cachorro.

COLD MEAT – 10 minutos

Aqui, os visuais low poly retrô não são o único eco do passado, afinal, este jogo parece ter vindo diretamente de vídeos de gameplay do YouTube em 2013. Em COLD MEAT, você joga como um entregador de carne que fica preso em um frigorífico e precisa navegar pelo caminho majoritariamente linear até escapar. O que te espera nesse caminho são muitos sustos que dariam excelentes reações para thumbnails, e algumas perseguições pontuais. Essas são duas coisas que definitivamente não me agradam mais nesse gênero, mas a brevidade do jogo e seus designs interessantes para o frigorífico e monstro fizeram valer os inúmeros “puta que pariu” que escaparam nesse curto período.

Teke Teke Moonlit Dread – 15 minutos

Quem nunca lembrou que precisava fazer compras um pouco tarde da noite e acabou lidando com um espírito vingativo do folclore japonês? Teke Teke pertence a um subgênero que tem se proliferado particularmente pelos jogos do estúdio Chilla’s Art, onde você começa fazendo algo mundano e acaba sendo atormentado por alguma criatura maligna (geralmente em um contexto japonês), porém consegue encontrar seu próprio charme. Eu gosto particularmente do uso de texturas realistas misturadas ao filtro retrô que permeia todo o jogo, além de ser interessante ver um desses que possua dublagem, ainda mais em uma língua diferente da qual o jogo foi escrito. Existe um único susto que só acontece caso você seja pego pela criatura, mas ele pode ser evitado se você conseguir pegar o final “bom”, o que vai exigir que você pense um pouquinho sobre pressão no final. Para um jogo dentro de um subgênero já tão batido para mim, Teke Teke mostrou que ainda dá para divertir fazendo algo amarradinho e polido.

OVERHANG – 10 minutos

Esse aqui é complicado porque é uma recomendação com um asterisco, já que, olhando a página do jogo, OVERHANG parece muito mais legal do que realmente foi na minha experiência. Ele se vende como uma narrativa em primeiro lugar, mas mesmo após fazer dois finais, idênticos visualmente. Inclusive, eu ainda não tenho ideia de onde ela está. E mesmo assim, a atmosfera e toda a parte visual do jogo ainda são legais o suficiente para justificar o download. O jogo tem pelo menos 3 finais (eu fiz o 2 e o 3), então talvez existam mais respostas nele, o que pode justificar esse freela de guindaste.

A Quiet Place – 10 minutos

A primeira coisa que chama a atenção aqui são os visuais, com esse estilo que mistura recortes de papelão e desenhos à mão. Isso tudo é usado, evidentemente, para contar uma história sobre infância traumática. O jogo é uma navegação linear revivendo memórias do pai alcoólatra do protagonista, então, por mais que sejam trabalhados de forma sutil, os temas presentes aqui podem ser bem pesados. Apesar de um breve susto, o terror aqui vem mais da (infelizmente muito real) experiência de ter que conviver com alguém nessa condição, e sua apresentação visual cria um palco muito peculiar para que isso se desenrole.

CorpseOcean – 20 minutos

Fazer uma ambientação de fundo de mar realista e bem feita requer bastante dedicação, mas quando isso é alcançado, principalmente no contexto de um jogo de terror, o resultado é memorável. Em CorpseOcean, você controla um submarino enquanto precisa completar pequenos trabalhos de coleta de dejetos no fundo do oceano, e uma das melhores partes disso é o quão desajeitado é controlar seu veículo. Isso te mantém naturalmente tenso por saber que você não tem a agilidade ou mobilidade para desviar ou escapar de possíveis ameaças, então qualquer sinal delas (mesmo que sejam coisa de sua cabeça) pode te deixar tenso. A ambientação aqui também é espetacular, e mesmo no pouco tempo que leva para completar sua jornada, é possível ver uma progressão visual bem interessante das águas mais rasas até as maiores profundezas desse oceano. Se terror atmosférico é sua praia, pode puxar uma cadeira e guarda-sol que esse mar está agitado.

DOT – 5 minutos

Outro jogo com nome escrito em maiúscula, outro jogo recomendado com um asterisco. DOT tem a coragem de fazer uma importante pergunta: e se VOCÊ fosse o teste psicotécnico? Com uma resposta tão maluca quanto a pergunta, ele culmina em uma experiência digna de pensamentos de alguém que está usando entorpecentes pela primeira vez. O asterisco aqui, porém, vem justamente com o final do jogo, que é só uma bagunça frustrante. Sem ser explícito para evitar spoilers, logo antes de acabar o jogo, te coloca um desafio mecânico desnecessariamente difícil e que não leva a nada exceto os créditos, então já que você já vai ter visto tudo que o jogo tinha a te oferecer, eu recomendo só deixar isso pra lá. O mais curioso é que dá pra ver em vídeos de uma versão antiga do jogo que esse desafio mecânico não existia originalmente, mas o final também não era interessante. Apesar da aparente sobrecorreção, o resto da experiência é divertido.

The Open House – 20 minutos

Esse deve ser o jogo mais peculiar dessa lista, e provavelmente o que mais me abalou (num bom sentido). Aqui você assume o aterrorizante papel de alguém que está procurando casas para comprar e usa um programa para fazer um tour virtual por uma delas. As coisas evidentemente não dão tão certo, e logo você está navegando por um daqueles terrores meio metalinguísticos que se passam dentro do computador. Além das formas criativas que The Open House usa para prosseguir sua narrativa, ele é extremamente competente em te assustar, mas não daquele jeito barato com gritos na sua cara, mas com momentos em que algo perturbador aparece na sua tela de forma incongruente com o resto e te causa aquele arrepio. É o tipo de jogo que me deixou exausto em seu fim porque passei quase o tempo todo com o corpo tenso esperando pelo pior, o que o torna muito bom no que faz.

The Radio Tower – 10 minutos

A princípio, eu não tinha certeza se queria incluir esse jogo aqui, porque seu gameplay não é particularmente incrível e ele só meio que acaba do nada. Mas, motivado pelas poucas migalhas de história que vi no começo, eu fui dar uma lida nos comentários da página dele até achar um vídeo explicando mais da narrativa e apontando pequenos detalhes visuais que eu não tinha percebido e que deixaram o jogo bem mais memorável. Apesar da simplicidade mecânica do jogo, o que é mais legal aqui é compreender a história que está acontecendo ao redor do protagonista, que é apenas uma pessoa com um ponto de vista bem limitado do todo. Uma vantagem de sua brevidade é que, se você quiser descobrir mais por conta própria, rejogar mais vezes não vai consumir tanto tempo assim.

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