Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Milano’s Odd Job Collection é totalmente um produto do fim da década de 90. A geração de videogames do meio para o fim dos anos 90 tem marcas bem peculiares. O salto tecnológico é muito associado à transição do 2D para o 3D, porém, há diversos casos do poder técnico ser usado para demonstrar animações 2D mais trabalhadas. O exemplo mais comum disso é Castlevania Symphony of the Night, mas também temos jogos como Wonder Project J2, que foi um dos primeiros jogos de Nintendo 64 e claramente queria mostrar o que o console daquela geração fazia em 1996 com o tanto de animação ali. Consoles como PlayStation 1 e Sega Saturn também tinham bastante jogos que ostentavam a tecnologia do CD, colocando áudio em destaque no design do jogo.
Olhando assim, é muito claro que Milano’s Odd Job Collection é do jeito que é porque foi feito em 1999 para o primeiro PlayStation.
Lançado originalmente em 1999 apenas no Japão, Milano’s Odd Job Collection é um jogo sobre Milano, uma garota de 11 anos que, durante as férias, a mãe acaba tendo que ir para o hospital, o que a faz ter que ficar na de seu tio. Porém, o tio viajou de férias e agora a menina está completamente sozinha durante 40 dias. Milano vê isso como uma oportunidade de crescer e ser independente, então ela vai atrás de diversos empregos de meio período. Importante já tirar da frente que isso aqui é um jogo leve e é para encarar tudo como uma brincadeira. Milano não trabalha por necessidade, mas por diversão (soa esquisito, mas a vibe é essa). Se você quiser passar o jogo todo sem trabalhar, é plenamente possível.
Agora em 2025, o jogo foi relançado para plataformas modernas e oficialmente localizado para o inglês. Vale atentar-se de que não se trata de um remaster ou remake, é o jogo de 1999 emulado com funções extras, como save state e filtros CRT.
Milano’s Odd Job Collection é extremamente charmoso e reconfortante. É um jogo simples e que hoje entraria na categoria de “cozy game”. O objetivo é aproveitar os 40 dias de férias fazendo coisas diferentes. Ele é bem tranquilo de maximizar tudo e é bem possível que na sua primeira jogatina, que vai durar umas quatro horinhas, você já pegue todas as conquistas do jogo. É aquele jogo de domingo chuvoso, curto e agradável.
Enfim, o jogo se segmenta em três partes: dia, fim da tarde, noite.
Durante o dia, você escolhe ou decorar sua casa com itens que comprou ou sair de casa para trabalhar ou comer pipoca na praça da cidade. À tarde, você faz atividades como comer, limpar a casa, ligar para os pais, assistir TV, jogar videogame etc. No período da noite, você pode escolher um livro para ler antes de dormir ou fazer um desejo para a estrela cadente.
Suas ações influenciam os status de Milano, que consistem no humor dela e habilidades, que desbloqueiam novos trabalhos.
Várias dessas ações são “inúteis”, que não irão aumentar status algum, e está tudo bem, porque sua recompensa é ver animações muito bonitas da Milano realizando suas atividades.
Todas as atividades que você faz contam com animações detalhadas e bem feitas da Milano realizando. O jogo aposta muito no charme visual, e essa atenção aos detalhes me fez ficar engajado com a menina nas férias. É uma experiência singela do início ao fim e a conclusão é super boba, mas muito bonita.
Quando disse que esse jogo é claramente um produto de sua época, foi por isso, ele quer que você se sinta num anime slice of life interativo basicamente, no qual a graça está em achar coisas novas para fazer e assistir animações charmosas no processo.
Cada trabalho é um minigame diferente, mas todos simples e rapidinhos. O loop de gameplay de 40 dias rende bem justamente por lhe permitir fazer atividades rápidas e alternar com certa frequência. O próprio jogo fala que não tem problema não fazer um trabalho que não queira, dando liberdade para repetir trocentas vezes algum minigame que você gostou muito ou só ignorar um que não achou lá essas coisas. Ter status de habilidade altos desbloqueia níveis de dificuldade maiores nos trabalhos, o que também lhe rende mais dinheiro.
Milano’s Odd Job Collection mostra um recorte de uma época na qual, ao mesmo tempo que videogames estavam evoluindo rapidamente, não havia tantas coisas consolidadas e empresas de diversos portes se permitiam mais a experimentar. Aqui temos um jogo que, mesmo utilizando vários elementos já conhecidos, faz uma execução um tanto única. É uma experiência curta, interessante e fico feliz de ter passado por ela.
Milano's Odd Job Collection
XSEED, Marvelous
Implicit Conversions
PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2