Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Existem alguns gêneros de videogames que não me descem, mas que, dependendo de sua história ou de um determinado contexto, eu dou o braço a torcer e tento jogar. Foi assim com Labyrinth of Galleria: The Moon Society, que é um dungeon crawler que possui uma ótima história que me fez continuar, e agora temos Utawarerumono: Zan, um musou baseado em uma das minhas franquias favoritas. Não sou fã de musou, acho os jogos entediantes, mas decidi dar uma chance para Uta Zan por conta de seu material base.
Não é a primeira vez que temos o lançamento desse jogo no Ocidente, em 2019 ele foi lançado para PlayStation 4 e agora, em 2025, a Shiravune traz ele para o PC pela primeira vez.
Tirando o elefante da sala, esse jogo é uma péssima introdução para Utawarerumono. Os jogos têm cerca de 40 a 80 horas, e aqui nós temos um modo história que não dura nem ao menos 10. É uma grande montagem de highlights do enredo de Mask of Deception, segundo jogo da série, excluindo tudo que faz Utawarerumono ser o que é. Então, se você quer jogar pela história, não é para você, até porque ela não funciona nem para o jogo em si, não existe qualquer coerência no que está rolando em tela pois tudo é atropelado. No momento em que decidi me desprender desse detalhe, comecei a abrir minha mente para o jogo.
Para os fãs de Utawarerumono, ver alguns desses momentos em 3D, especialmente na parte final, é bem legal. Gosto muito de como os portraits 2D foram bem reproduzidos nos modelos, imitando certinho os trejeitos e caretas dos personagens. O mesmo posso dizer das técnicas deles.
O jogo é desenvolvido pela Tamsoft Corporation, responsáveis pela (talvez atualmente morta) série Senran Kagura, então eles sabiam o que estavam fazendo em termos de jogabilidade. Tudo aqui é muito fluido, com bom ritmo e muito gostoso de se jogar. Apesar de algumas cenas serem um tanto capengas, existem momentos mais coreográficos, e eu sei que o segundo Utawarerumono: Zan, já confirmado para o Ocidente, possui cenas ainda mais elaboradas.
Como falei acima, não sou um entusiasta de musou, mas eu diria que esse jogo clicou um pouco comigo pelo fato de a jogabilidade ser simples o suficiente para um novato no gênero se divertir. Ajuda que as fases são bem curtas, até mesmo as de nível hard não duram muito assim.
A estrutura do jogo é bem simples: entre na fase e mate inimigos a rodo. Ao decorrer do jogo, você vai habilitando outros modos, como refazer as missões de histórias, mas com novos objetivos, missões extras, missões solos com cada um dos 12 personagens jogáveis e por aí vai.
O combate é direto ao ponto: você bate com o X para golpes normais e triângulo para golpes fortes e isso vai aumentando sua barra de Zeal. Essa barra lhe permite buffar o seu personagem, mas conforme a história avança, ela ganha uma outra função, quando, ao encher as três barras de Zeal, o seu personagem pode executar o Final Strike, que é um ataque especial com direito a cutscene única. Com o B, é possível usar técnicas que vão de ataques até cura. Ao ativá-las, você entra em um curto jogo de ritmo para aumentar a eficácia delas.
OBS: Estou descrevendo de acordo com o layout de botões do Steam Deck.
Eu consigo me ver perdendo umas boas horas nos modos extras, que inclusive esse jogo tem bastante, e rolando o gacha do jogo para conseguir novos equipamentos. Sim, esse jogo tem um gacha interno. Os itens que você rola são pergaminhos que contêm novas técnicas ou buffs extras para os personagens, como aumentar o HP ou Defesa, gerar mais Zeal, etc. O sistema de BP (Battle Points) também retorna para aumentar os status dos personagens, quanto mais você usa certos personagens em missões, mais eles vão ganhando BP para serem utilizados.
Existe um modo online também, mas não consegui testar durante esse período.
Talvez o que mais me impressionou no jogo foi a trilha sonora, e eu entendi finalmente o porquê de Monochrome Mobius ter elementos mais eletrônicos, pois parece ser uma sequência direta das composições de Utawarerumono: Zan, inclusive várias das músicas aqui poderiam se encaixar no jogo de 2022. Remixes dos temas clássicos da série e batidas eletrônicas caíram como uma luva aqui devido ao ritmo mais acelerado do jogo.
Eu fiquei bastante surpreso com o quão bem o jogo rodou no Steam Deck, ainda mais que os últimos jogos da Tamsoft, ToHeart e Bleach: Rebirth of Souls, saíram bem ruins no PC. Não sei como está o jogo no desktop, mas eu não tenho nada a reclamar sobre a performance aqui.
Existem alguns pequenos problemas, no entanto. Na UI do jogo, as letras são bem pequenas, especialmente nos inimigos específicos. Mesmo ligando o Deck em um monitor, as letras continuam difíceis de se enxergar. O outro problema é que, mesmo o jogo reconhecendo tanto os botões do Steam Deck quanto os do DualSense, no menu de remapear os botões só constam os do teclado e mouse.
Olhando de relance o lançamento anterior, feito pela NIS America, a localização parece ser a mesma. O que vi de alteração foram os nomes das fases da campanha, alguns deles são diferentes. Não chega a ser uma surpresa, visto que a Aquaplus é quem parece manter os direitos dos textos em inglês, como vimos em Monochrome Mobius tendo a mesma localização mesmo sendo publicado por diferentes publicadoras.
No geral, eu me diverti com Utawarerumono: Zan muito mais do que eu estava esperando. Depois que parei de me incomodar com a história sendo estraçalhada, encontrei um jogo muito divertido e que funciona para aqueles que não gostam de musou. Não recomendo a ninguém que queira entrar na franquia, mas para aqueles que só querem um jogo de ação fluido, talvez seja uma boa pedida.
Utawarerumono: ZAN
Shiravune
Aquaplus, Tamsoft Corporation
PC