Crítica: DRAGON QUEST VII Reimagined

Por Arthur Tayt-Sohn

Nota: 8

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Continuando seu projeto de revisitar a série Dragon Quest, a Square Enix traz agora o segundo remake do sétimo jogo da série principal. Lançado inicialmente para PlayStation em 2000, com o subtítulo Fragments of the Forgotten Past, o jogo já tinha recebido uma segunda versão para o Nintendo 3DS.

Agora a Square Enix traz o título para um público mais amplo em uma versão “reimaginada” para as plataformas modernas. Esse é o terceiro jogo da série que posso dizer agora que de fato joguei e conto agora como foi minha experiência conhecendo mais um pouco de uma série que durante muitos anos acabei negligenciando.

Fragmentos de um passado esquecido

O jogo se inicia na ilha de Estard, que aparentemente é o único território que existe no mundo, rodeado por um oceano sem fim. O herói, filho de um pescador, e seu melhor amigo Kiefer, príncipe de Estard, sonham em navegar pelo oceano e provar que o mundo não é apenas isso.

Após descobrirem misteriosos fragmentos de pedra, eles se unem à sua amiga de infância Maribel e acabam retornando ao passado. Lá eles descobrem que todos os territórios restantes do mundo foram selados magicamente e para restaurar o mundo eles precisam derrotar as forças malignas que impedem os territórios de existirem no presente.

DRAGON QUEST VII Reimagined

Os três então partem em uma aventura para encontrar todos os fragmentos perdidos e restaurar o mundo, seus territórios e habitantes, além de descobrir o responsável por esse magia maligna e acabar com essa maldição definitivamente.

O clássico que funciona

Dragon Quest VII mantém sua tradição de RPG de turno, sem fugir muito do que faz nos outros jogos que joguei, mas com algumas mecânicas novas. E o jogo segue sendo muito amigável para novatos na série e familiar para os veteranos.

Você controla um grupo de até quatro aliados em combate, com cada um agindo em um turno dependendo do nível do status agilidade. As mecânicas são bem simples: você pode atacar, defender, usar habilidades ou itens. Como é comum na série, alguns equipamentos podem ser usados como itens em combate para liberar efeitos especiais.

E a partir daí não tem mistério: você explora dungeons, enfrenta inimigos para receber experiência, subir de nível, visita cidades, encontra tesouros, compra equipamentos, etc. A novidade em DQVII fica por conta das vocações, que são as classes do jogo. 

Cada personagem possui uma vocação única, mas eventualmente pode aprender novas vocações e com isso abrir um leque maior de habilidades que pode aprender. Além disso, as vocações dão bônus aos atributos básicos do personagem, como força, defesa, HP máximo, etc.

DRAGON QUEST VII Reimagined

Além das vocações básicas, você pode liberar vocações intermediárias e avançadas ao liberar vocações específicas. E com isso é possível fazer diversas combinações de vocações e habilidades, para liberar habilidades e efeitos especiais que tenham sinergia, além de estabelecer qual será a função de cada personagem em combate: o guerreiro de ataque físico, o mago ofensivo, o personagem de suporte, etc.

Para quem curte RPG’s clássicos, não tem muito mistério. Mas eu particularmente achei o jogo bastante fácil e quebrável. As versões remasterizadas dos primeiros Dragon Quest mantiveram um nível de dificuldade. Não posso dizer se é o mesmo dos jogos originais, mas ainda assim achei desafiadores para os padrões atuais.

Dragon Quest VII Reimagined facilitou bastante as coisas, jogando na dificuldade normal. Mas também não senti tanta diferença na dificuldade “difícil”, que experimentei um pouco. O jogo é bastante generoso ao fornecer estátuas de save point que também curam os personagens. Além disso, itens que recuperam MP são bastante fáceis de se conseguir.

Os chefes também não oferecem muita dificuldade. Em geral eles são frágeis e não costumam usar muitas habilidades que dificultam sua vida, como causar efeitos negativos nos personagens, recuperarem vida ou se fortalecerem, como acontece nos outros jogos.

Apesar de eu não ter jogado a versão original do jogo, li relatos de que ele era considerado bastante desafiador. Além disso, outro ponto que pode ser frustrante é a quantidade de conteúdo que se tornou opcional ou foi simplesmente cortado.

DRAGON QUEST VII Reimagined

A versão de PlayStation podia chegar facilmente a 100 horas de jogo, contando apenas a campanha principal. Neste remake, é possível finalizar a campanha em cerca de 35 horas. É claro que melhorias de qualidade de vida como acelerar os combates, movimentação mais rápida e outros recursos ajudam a diminuir esse tempo, mas boa parte disso é por conta dos cortes de conteúdo.

Tudo bem que o jogo original era massivo e hoje em dia nem todo mundo tem tempo para investir 100 horas em um jogo, mas todo corte de conteúdo acaba decepcionando uma parcela dos fãs. Imagino que para os mais veteranos da série essa mudança tenha sido mais sentida. Como é minha primeira experiência com o jogo, não posso dizer que senti falta do que foi cortado, mas entendo a frustração de quem esperava pelo conteúdo completo.

Mas exceto por esses detalhes, Dragon Quest VII ainda é bastante divertido para quem gosta de RPG’s de turno. E acho bastante positivo que ele seja bastante acessível para novos fãs, não exigindo conhecimento prévio da série para ser jogado.

Uma aventura épica

Para restaurar o mundo de Dragon Quest VII, os heróis precisam viajar para o passado, visitar diversos reinos e retornar ao presente. A princípio essa premissa soaria muito parecida com Chrono Trigger, mas não é bem assim.

Dragon Quest me lembra bastante animes de aventura, como One Piece e Dragon Ball (não o Z). São diversos arcos narrativos onde conhecemos personagens, ajudamos pessoas e reinos em momentos de necessidade, nos despedimos e seguimos para a próxima aventura. Eventualmente essas micro narrativas se conectam com a narrativa central do jogo.

A história demora um pouco para engrenar no começo, a pelo que pesquisei isso é ainda mais lento no original, mas depois de algum tempo o ritmo melhora. As missões são sempre basicamente visitar uma nova região, derrotar o monstro que está causando problemas no passado e restaurar o território no presente.

DRAGON QUEST VII Reimagined

Existem também algumas histórias secundárias e opcionais, que dão recompensas ou só agregam mais à história do jogo. Conforme restauramos as outras ilhas, o mundo vai se expandindo e ficando mais “vivo”. Também sempre vale a pena revisitar algum lugar. Em alguns casos, existem alguns segredos para serem descobertos.

No geral a história é simples, fácil de entender e sem muitas discussões aprofundadas. É realmente uma típica história de aventura, com alguns arcos mais cômicos, outros mais tristes e uma narrativa central que amarra tudo em um objetivo principal.

Um ponto que achei bastante interessante é como o jogo se inspira em povos reais do nosso mundo. Em boa parte dos territórios, as pessoas possuem culturas e falam com sotaques diferentes. Algumas das inspirações são os italianos, alemães, franceses, egípcios e os nômades romani. Isso pra mim enriquece a narrativa e passa a ideia de um mundo de fato multicultural.

Como citado anteriormente, uma boa parte da história sofreu cortes ou se tornou opcional. Pode ser que alguns fãs veteranos sintam falta disso, mas pra ser sincero eu não sei se conseguiria me manter engajado por 100 horas em um jogo com essa estrutura. Eu não sou exatamente contra jogos longos, inclusive alguns RPG’s que eu gosto são bem longos, mas fico até curioso em saber como o jogo original sustenta uma duração tão longa. O ritmo da história nesta versão me agradou, não senti que “perdi algo”. Mas para ter uma ideia melhor eu precisaria jogar a versão original do jogo.

Visuais totalmente reimaginados

Assim como nos remakes dos primeiros Dragon Quest, a Square Enix também experimentou com novos visuais para o sétimo jogo.

Para essa versão, o jogo conta com uma estética inspirada em dioramas. Os personagens e inimigos são modelados de forma que se parecem com bonecos. E na minha opinião, essa escolha funcionou bem demais.

Como é notório, o trabalho de arte do Akira Toriyama traz uma identidade especial para os jogos da série. Essa reinterpretação do trabalho dele é algo que sempre preocupa um pouco, porque é claro que não queremos que o trabalho dele seja descaracterizado.

E trazer para tecnologias modernas um trabalho tão icônico me soa bastante desafiador. A Square Enix vem experimentando diversos estilos artísticos em seus jogos e eu particularmente tenho gostado do resultado da maioria.

DRAGON QUEST VII Reimagined

Dragon Quest VII Reimagined é bonito e muito agradável de se jogar. A escolha artística combina muito bem com os modelos de personagens e inimigos, que são muito bem feitos. Um dos cortes de conteúdo que acho que poderiam enriquecer mais são as roupas únicas de cada vocação. Nesta versão, os modelos dos personagens são únicos, não mudam conforme eles trocam de vocação.

É inevitável não pensar que a Square Enix vem experimentando diferentes estilos para encontrar o melhor caminho para novos jogos e para remakes mais “sensíveis” de se mexer. Sim, estou falando de Chrono Trigger mesmo, apesar de eu acreditar que o jogo já é perfeito como ele é.

Até a próxima aventura

Dragon Quest VII Reimagined pode ser divisivo entre os fãs veteranos da série, mas como um jogo que busca também trazer novos fãs, ele é uma ótima porta de entrada. 

O jogo é visualmente muito agradável e bastante divertido, por mais que eu ache que ele poderia ser um pouco mais desafiador. Por outro lado, ele também é bastante acessível para quem está entrando agora no mundo dos RPG’s de turno, ao mesmo tempo que oferece a experiência clássica do gênero para fãs de longa data.

Enquanto os fãs aguardam Dragon Quest XII, o novo título que ainda está em desenvolvimento, os remakes ajudam a manter a série em evidência, além de continuar conquistando novos fãs.

Nome do jogo:

DRAGON QUEST VII Reimagined

Publisher:

Square Enix

Desenvolvedora:

Square Enix, HEXADRIVE Inc.

Plataformas Disponíveis:

Playstation 5

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