Erro Crítico nas Reviews de Video Game

Por Silvio Diaz

Review de videogame foi, é e sempre será um ponto de debate, briga e xingamento. Entretanto, raramente se vê, nesse monte de briga, um verdadeiro debate sobre o motivo de tanta desavença. O erro crítico da imprensa de games é quando o “reviewer” ignora completamente o fato do videogame ser muito mais do que um produto, e sua crítica passa a ser um “teste de limites” ou uma análise que precisa passar por uma regra específica de questões para definir sua qualidade.

O meu ponto é simples: o grande problema do mundinho de imprensa de videogame é que ainda estamos cheios de gente tentando dizer se um jogo merece ou não ser comprado, e não tentando olhar para a mídia como algo a mais, raramente olhando para os jogos como a obra de arte que por tantos anos a mesma mídia lutou e brigou para que o mundo entendesse que são.

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Acredito que o ponto-chave, que comprova essa visão de produto, é a necessidade de falar de todas as “partes” que um jogo carrega; nada se aprofunda e dizer que algo é vazio ou “não funciona”, se perde com o tanto pouco que é destrinchado. É sempre “sobre os gráficos”, “agora a trilha sonora”, “em questão de gameplay” e nada se aprofunda. Não é à toa que textos desse tipo só surgem quando dão briga; é extremamente raro algo do tipo servir para nos dar um novo ângulo ou uma nova visão sobre a obra. Eles estão lá apenas para justificar a nota dada e nunca o contrário. 

Um texto que se propõe a destrinchar um jogo não pode julgar um jogo do Mario da mesma forma que julga um Final Fantasy. Suas propostas são diferentes e os assuntos que podem ser comentados também. Entretanto, não é isso que vemos. Grande parte do conteúdo criado parece mais uma busca por marcar checkbox do que um jogo precisa ter e nunca criar um assunto sobre isso. A nota vira apenas uma avaliação de quantas “caixinhas” o jogo marca e o texto uma explicação, com um tico de opinião pessoal de quem joga sobre como encontrou ou não os pontos a serem marcados, um fluxo que vemos se repetir desde o início da área, e que o que antes era justificável, hoje se tornou um problema invisível no debate.

Não é  à toa que temos um combo infinito de sites que usam dos terríveis “prós” e “contras” no final de seus textos, que servem mais para demonstrar a objetificação e a visão de apenas produto daquilo de que estão falando. Quando “gráfico” é um pró? Ou trilha sonora? O que define isso? Um jogo pode ter gráficos terríveis, mas ter o visual perfeito para o que se propõe, e aí, onde se encaixa o pró? Nesse caso, o jogo ser feio é um pró? 

Por fim, uma crítica de verdade, que eleva a discussão, traz pontos e aumenta a conversa sobre um jogo é benéfica para todos, mas quando é apenas um monte de palavras que buscam perpetuar a opinião de quem escreveu, com uma nota que não é sobre o tom do texto e um valor simbólico geral, mas uma avaliação de produto, o que temos é gente brigando, nada de interessante sendo dito e a evolução da conversa sobre a mídia cada vez mais distante de evoluir. Mudar isso, sim, seria um acerto crítico da imprensa. 

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