Crítica: CAPTAIN TSUBASA 2: WORLD FIGHTERS – Bola na trave

Por Leonardo Costa

Nota: 6.5

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Captain Tsubasa, ou Super Campeões, como é conhecido no Brasil, é uma obra que guardo com carinho, pois, quando pequeno, eu amava assistir ao anime Captain Tsubasa: Road to 2002 (Super Campeões: Rumo ao Sonho), que passava no Cartoon. Não apenas por se tratar de futebol, mas também pela presença massiva do Brasil na obra, ainda mais com o Tsubasa vindo jogar no Brasil e logo no São Paulo.

Em 2020, quando foi lançado Captain Tsubasa: Rise of New Champions, eu adorei o jogo e me diverti muito jogando o seu vasto conteúdo. Então, quando anunciaram a sua sequência, CAPTAIN TSUBASA 2: WORLD FIGHTERS, eu fiquei muito animado em poder experienciar novamente a obra nos videogames.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Vamos Brasil

Publicado pela Bandai Namco e desenvolvido pela Tamsoft, WORLD FIGHTERS traz, dessa vez, a adaptação do Campeonato Mundial Juvenil e se passa 3 anos após o jogo anterior. Tendo a oportunidade de experimentar o jogo, trago a minha jornada nele para vocês.

Campeonato Mundial Juvenil

Como dito, o jogo aborda o arco do Mundial Juvenil de seleções. No plot, Tsubasa Oozora deixou o Japão com o Roberto para ir ao Brasil jogar nas categorias de base do São Paulo FC e eventualmente subir para o time principal e se tornar um futebolista profissional. Alguns amigos e rivais seguiram seus caminhos em outros países, enquanto a maioria deles continuou no Japão, disputando os campeonatos escolares durante o ensino médio. Eles todos se reúnem novamente para representar o Japão no mundial juvenil da categoria e enfrentar outras incríveis seleções pelo título.

Diferente do jogo anterior, que tinha o Episódio Tsubasa, em que a gente jogava a história da obra, e o episódio Novo Herói, em que a gente criava um personagem e jogava uma história inédita com ele inserido naquele mundo, em WORLD FIGHTERS a gente só possui um modo história, que segue os acontecimentos da obra, de forma ampliada, e em que controlamos um personagem próprio criado por nós e que está inserido ali no meio.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - São Paulo Campeão

Eu, particularmente, preferia como era feito no primeiro jogo, não só por acabar entregando mais conteúdo para a gente jogar, mas pelo fato de a história que a gente joga com nosso personagem ter mais liberdade para criar o sentimento de que a gente está impactando mais as coisas ao nosso redor.

A nossa inserção na história é até natural, mas a sensação ao ir jogando e, principalmente, quando a história está avançada e em seus momentos mais impactantes, é que a gente está ali apenas como alguém para falar umas palavras de incentivo e pronto. Não dá para sentir qualquer diferença na nossa presença, mesmo considerando o nosso impacto em campo. Isso acaba tirando um pouco do sentido de ter nosso personagem ali. Era melhor ser só o Tsubasa e o elenco normal, até porque nas partidas a gente controla o time todo e, na boa parte da trama, quem está em tela são os personagens normais mesmo.

A história em si é bem legal, se você gostar da obra, obviamente, e ela não tem problema em tomar o tempo que acha necessário para construir as cenas e acontecimentos. O mais legal é toda a presença e a importância que o Brasil tem aqui. Poder jogar com o São Paulo FC e enfrentar times como o Porto Alegre FC e o Rio FC deixa as coisas mais legais para o brasileiro.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Salinas

O jogo conta com os Main Episodes, nos quais acontecem os fatos principais da trama, e também tem o Side Scenarios, que são acontecimentos secundários àqueles da história principal, mas que agregam e complementam toda a história, sendo de certa forma essenciais. E, por último, tem os Link Stories, que são uma interação direta com algum personagem ou um grupo de personagens, em que podemos nos aprofundar na trama deles e em que também liberamos técnicas deles para o nosso personagem, sendo um extra bacana. Os Side Scenarios e o Link Episodes são liberados ao completar objetivos específicos do Main Episode, então acaba virando também um pouco de fator replay.

Só que esse jeito tem um problema: é muito massante. Por mais legal que seja a história e os extras, ao jogar a campanha, você se sente mais lendo uma visual novel do que jogando um jogo de futebol. As partidas só acontecem no Main Episode e é apenas uma por episódio. Todo o resto de extras são apenas cenas que vemos em um estilo visual novel, com alguma movimentação leve em cenários que envolvem uma partida. Então, às vezes, você está vendo 1 hora de cena para jogar 10 minutos de partida e ver mais horas de cena.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Tsubasa se apresentando para Pandivis

Eu não consigo entender o motivo de Side Episodes não terem partidas jogáveis, quando a grande maioria deles são de partidas secundárias. Ou não serem algum mini-game quando forem treinos. Os Link Episodes também são estranhos, pois, ao mesmo tempo em que têm interações legais, é como se você aprendesse uma técnica por conversar no WhatsApp. Poderia muito bem ter um mini-game ou algo para você completar e, então, liberar as técnicas, junto de ver a história de algum personagem.

Logo, essa dinâmica acaba fazendo com que jogar o modo história seja, ao mesmo tempo, legal, mas também cansativo ao se jogar muito em sequência. E, considerando que, fora o modo história, o outro único conteúdo do jogo seja jogar partidas online ou partidas rápidas offline, não tem por que deixar tão pouca jogabilidade na história.

Comparando com o seu antecessor, que tinha 2 modos de histórias, um modo de Dream Team, modo torneio e as partidas offline e online que tem aqui, WORLD FIGHTER fica parecendo ter perdido em conteúdo, mesmo sendo uma sequência. Some isso ao fato de ter perdido, de maneira inexplicável, a localização em português brasileiro (mesmo com toda a relevância do Brasil na trama), e o jogo realmente parece um retrocesso.

1v1 pelo campo

Se a história e os conteúdos presentes no jogo parecem ficar devendo em relação ao jogo anterior, a jogabilidade foi algo que de fato foi aprimorado aqui, só que com alguns asteriscos também. O jogo anterior tinha um sistema que remetia ao pedra-papel-tesoura para decidir as disputas no campo. Já nesse aqui as disputas se tornaram bem mais individualizadas, a progressão de como você leva a bola ao ataque começou a importar mais e cada posição ganhou uma importância maior graças aos Super Movimentos.

Partindo do básico, no jogo podemos realizar passes curtos e longos, correr, driblar, dar botes/carrinho e chutar. Cada ação tem seu botão específico. Então, o botão de toque, se você apertar rápido, ele dá um passe curto e, se você segurar e encher a barra, ele faz um passe longo. O chute é a mesma coisa, já que apenas apertar realiza um chute comum e inofensivo, e segurar o botão até a barra carregar permite usar uma técnica especial de chute.

Uma adição a tudo isso é que agora, ao realizar o chute especial, podemos escolher uma direção para ele, e isso afeta o impacto que o chute vai ter no goleiro. Se o goleiro acerta a direção, ele realiza uma defesa perfeita e diminui consideravelmente o dano que ele toma. Se a direção está próxima, é uma defesa normal, e se ele erra totalmente, é uma má defesa, que aumenta o dano que ele vai levar.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Super Defesa

Essa parte da defesa também se aplica ao jogador, já que agora a gente tem esse controle na hora em que recebemos um chute, diferente do jogo anterior, em que éramos meros espectadores. A adição é legal e agrega a ter mais controle e impacto na partida, mas às vezes o chute, quando exibido em tela, não está indo na direção que você selecionou (visualmente só) e tira um pouco de imersão. Isso do visual deixa tentar adivinhar a direção do chute bem aleatória mesmo e, somado à janela minúscula para tentar fazer isso, na hora de defender, cria nem sempre uma experiência legal.

Como dito, cada posição em campo ganhou um Super Movimento, que pode ser realizado ao preencher uma barra à medida que o tempo passa e realizamos ações em campo com o jogador. O goleiro tem a Defesa Milagrosa, zagueiros podem ter Super Desarmes ou Super Bloqueios, meio-campistas podem ter Super Desarmes, Super Passes ou Super Chutes e os atacantes têm os Super Chutes.

Cada um desses é uma ação mais forte de coisas do jogo. Os Super Desarmes não podem ser parados e fazem você recuperar a bola. O Super Bloqueio impede qualquer chute de passar, Super Dribles são uma sequência de dribles mais rápida, e o Super Chute é um chute ainda mais potente, causando mais dano ao goleiro (mas ele pode ser defendido).

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Super Bloqueio

Como são técnicas especiais e não podem ser usadas toda hora, saber o momento de usá-las é a chave para aproveitar ao máximo as habilidades. Criando também todo um gerenciamento de técnica e sabendo os momentos de gastar ou não recurso. Deixa o jogo mais tático.

E a última adição a todos esses sistemas é o Chain. Ações em campo, como desarmes e dribles realizados com sucesso, aumentam o número da corrente, e isso deixa seus chutes mais rápidos de carregar e mais fortes. Isso causa aquilo de que comentei, de que a maneira como você leva a bola ao ataque agora tem mais peso e que também deixou a “pressão” na bola mais impactante no jogo, já que uma roubada de bola mantém a corrente e então isso torna os contra-ataques mais perigosos.

O jogo também conta com um Super Movimento Milagroso do time, que pode ser usado apenas uma vez por partida e exige condições específicas para ser ativado. Eu até hoje não entendi nenhuma das condições para ativar e nem direito ao efeito dessa habilidade, parecendo algo totalmente descartável para mim quando ela ativava.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - São Paulo X POA

Só que, como falei, mesmo com as melhorias na jogabilidade, ainda assim alguns asteriscos são levantados. Um desses asteriscos é o ritmo do jogo durante a partida, por causa da animação das habilidades. No primeiro tempo, principalmente no começo dele, você não sente, pois os personagens ainda estão carregando suas barras, então o jogo flui bem e fica nivelado entre executar os comandos na hora certa e ir desgastando o goleiro para marcar.

Só que, no segundo tempo, com as barras carregadas, vira um show de jogador ficar ativando habilidade, e aí você tem que ficar vendo a animação, aí perde a bola, ativa o seu, vê animação de novo, aí a CPU faz a mesma coisa e fica um perde e recupera e um monte de animação que não dá para skippar em sequência. Isso corta o ritmo demais e deixa essa parte do jogo engessada para mim, principalmente porque o Super Desarme não tem como evitar, então fica o adversário vindo de longe e você tem que esperar porque o jogo não deixa você chutar, driblar ou tocar a bola para tentar evitar o desarme.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Carrinho

Eu acho sinceramente o começo das partidas, com todo mundo mais “fraco”, bem mais divertido de jogar do que o final, em que todo mundo tem os “poderes” e aí fica nesse ritmo quebrado e um show de soltar Super Movimento. Acho que, se tivessem mais alternativas para contra-atacar certas coisas, ia deixar os embates mais dinâmicos e até melhorar o skill gap do jogo, mesmo eu entendendo que a proposta é ser bem arcadezão.

Outra coisa que achei bem ruim são os passes. Se não for um Super Passe, eles são bem ruinzinhos, principalmente o passe curto. O jogador toca meio mal e é facilmente interceptado. Os passes longos são melhorzinhos, mas eu achei ele ser o mesmo botão e ter que segurar meio ruim. Ainda assim, o jogo valoriza muito mais o correr e driblar do que a troca de passes.

E, por mais que eu reconheça e goste das mudanças na jogabilidade, pensando no geral, eu sinto que um pouco da individualidade dos personagens se perdeu nesse jogo. Aqui temos bem mais personagens que no jogo anterior, e as posições em si ficaram mais importantes e com seus papéis mais destacados, mas lá eu sentia que eles eram mais únicos em campo, com suas características individuais se realçando mais.

Passou o tempo e o time piorou

Se eu fosse fazer uma analogia futebolística com CAPTAIN TSUBASA 2: WORLD FIGHTERS, seria que, se o primeiro jogo fosse um time de futebol, ele saiu de férias, voltou para a pré-temporada, treinou, mas, quando voltou a jogar, ele voltou praticando um futebol pior do que estava antes. O jogo ainda diverte, a história em si é legal e a jogabilidade é melhor em relação ao antecessor. Só que até a sua maior melhoria, que é a jogabilidade, apresenta alguns pontos que requerem um polimento maior, e o resto da comparação em relação ao jogo anterior mostra que aqui acabou tendo bem menos conteúdo, a história tem um ritmo pior e nosso personagem parece um suporte de luxo nela em vez de ser ativamente importante, além de o jogo ter perdido a localização em português.

CAPTAIN TSUBASA 2 WORLD FIGHTERS - Nome do jogo

Então, no final, mesmo com a jogabilidade sendo uma seta apontando para frente, sem ainda ter atingido o seu destino ideal, mas indo em direção a ele, o resto das coisas são setas apontando para trás. Com isso, o saldo fica mais negativo do que positivo, fazendo com que a impressão seja de regresso. Se você gosta da obra, acho que vale a pena testar quando o jogo atingir uma promoção, mas espero que a obra possa um dia receber seu terceiro jogo, pegando os pontos fortes dos dois que já existem e trabalhando neles para criar algo totalmente melhor. E que também a Bandai reveja essa situação da localização, pois não tem sentido o português brasileiro ter se perdido aqui.

Nome do jogo:

CAPTAIN TSUBASA 2: WORLD FIGHTERS

Publisher:

Bandai Namco

Desenvolvedora:

Tamsoft Corporation

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch

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