Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
AQUAPAZZA é um daqueles jogos que sempre tive curiosidade de jogar, mas sempre estava preso em alguma plataforma esquecida por Deus, nesse caso, o Playstation 3, então desde que a Shiravune anunciou uma localização e um port para PC esse jogo ficou no meu radar de interesse.
Por mais que eu tenha pouco contato com as franquias da Aquaplus/Leaf, eu ainda estava bem interessado nele, mais por ser um jogo de luta com uma temática e estilo de arte que me agradavam bastante, e fiquei ainda mais interessado depois da última edição da EVO 2025, onde KojiKOG vs GO1 reviveram o meme de 10 anos atrás, que aconteceu justamente em AQUAPAZZA.
Porém, após jogar essa versão para PC, me encontro em sentimentos mistos, no qual, por um lado, o jogo em si é extremamente divertido e charmoso, em contrapartida, é um dos piores ports de PC que eu já testei, sendo quase injogável em muitos casos.
AQUAPAZZA: Aquaplus Dream Match é um jogo de luta 2D originalmente lançado em 2011, co-desenvolvido pela Aquaplus e pela Examu, conhecido hoje como Team Arcana, é o estúdio responsável por Arcana Hearts e Million Arthur, e em 2025 portado e localizado para PC pela Shiravune.
AQUAPAZZA é um crossover entre várias das franquias da Aquaplus/Leaf, dentre elas estão Utawarerumono, Tears of Tiara, To Heart, Kizuato, Routes, Comic Party e White Album, a concepção desse jogo marca um período de transição e experimentação dentro da Aquaplus, com a Leaf sendo um nome menos proeminente, e Aquaplus sendo cada vez mais associada a esses títulos.
Originalmente lançado para Arcade, e eventualmente um port para o Playstation 3, o game foi bem recebido pela comunidade de jogos de luta no Japão e fãs de anime-fighters no ocidente, com torneios menores acontecendo até hoje.
AQUAPAZZA entrega o mínimo que se espera de conteúdo single-player um jogo de luta, não dá para pedir muita coisa visto a época em que foi originalmente lançado, porém, o port recente para PC da Shiravune deixa muito a desejar, não só em não implementar um netcode decente, como também em não adicionar nenhuma melhoria ou qualidade de vida ao jogo, entre outros problemas que entrarei em mais detalhes em breve, mas AQUAPAZZA só faz o “bread and butter” quando o assunto é conteúdo.
Temos dois modos de história no jogo, um deles sendo um extra chamado “another story”, versus, score attack, training mode, network e gallery, é realmente o básico do básico, mas levando em conta que é um jogo de baixo orçamento e o seu propósito era mais ser só um crossover da Aquaplus do que um jogo de luta de fato, dá para entender a simplicidade.
O enredo do modo história é que Ma-Ryan uma das personagens de ToHeart, se tornou uma bruxa e decidiu fazer uma poção do amor que faz com que todos os homens se apaixonem por ela. Essa poção dá completamente errado e ela acaba criando AQUAPAZZA, a poção que dá jus ao nome do jogo e que controla a mente das pessoas.
Ela decidiu mudar de planos e agora busca dominar o mundo, e cabe ao personagem que o jogador escolheu ir lutando contra outros personagens que ela está controlando e enfrentar Ma-Ryan no final do modo história.
Sim, é esse nível de clichê, já Another Story é uma história mais centralizada no personagem que você escolhe. Joguei com a Chizuru de Kizuato e a história referencia bem mais personagens e eventos daquela Visual Novel específica, por exemplo.
Agora adentrando ao que realmente importa, a carne do jogo, o seu combate, o definido da maneira mais simples, é um jogo com poucos sistemas, fácil de aprender e que não é tão profundo assim, não é um jogo com combos super longos ou que exige um nível técnico alto ou uma precisão absurda, é bem simples de pegar se você já entende do básico de jogo de luta.
O jogo não tem um tutorial, nem mesmo no modo história, então tive que ir atrás da wiki para entender melhor, mas basicamente é um jogo de 4 botões: (fraco – médio – forte) e um botão de assist que muda de ação dependendo da direção, o resto sendo bem padrão de jogo de luta, agarrões, especiais e super, etc.
O real sistema do jogo é o “Active Emotion”, que é indicado ao redor do portrait do personagem, ao lado da barra de vida. Existem 3 tipos de Emotion: Neutral, High e Low, que dependendo das ações do jogador na partida podem aumentar ou diminuir, dando buffs e debuffs ao jogador.
Enquanto o jogador está com emotion no Neutral a barra fica branca, a partir do momento em que o jogador começa a ser mais agressivo, o Emotion sobe para High, indicado quando a barra fica vermelha, fazendo com que o jogador dê mais dano, alguns personagens ganham animações diferentes nesse modo também, o jogador leva menos dano e ganha mais barra de especial. Já se o jogador está mais na defensiva, a barra cai para Low, e fica azul, dando basicamente os efeitos contrários do Emotion High.
Mas, no geral, por ser um jogo mais simples, eu achei ele bem confortável de se jogar, é bom de apertar botão, é claro que vai variar de personagem para personagem, uns são mais difíceis de jogar, outras mais fáceis, mas o “core” do jogo é bem simples, fácil de combar e no geral bem divertido.
O real grande problema aqui é esse port para PC e seus diversos problemas, bugs e má otimização. O framerate do jogo é inconsistente e laga toda hora, testei o jogo com alguns controles diferentes e muitos ele simplesmente nem reconheceu, os prompts de botões estão bugados, não ter um botão para sair do jogo, sendo obrigado a um Alt + F4 toda vez, entre muitos outros problemas que experienciei e vi reclamações de outros jogadores.
A falta de Rollback Netcode é vergonhosa e faz uma tremenda falta, porém, mesmo que fosse adicionado, eu honestamente duvido que seria uma boa implementação de qualquer jeito.
Eu notei também alguns problemas na tradução, e fora que os nomes dos personagens não estão traduzidos, sendo que na versão de PS3 eles estão, a esperança é que tanto isso e os outros problemas podem ser arrumados com uma atualização, então é só torcer para a Shiravune tomar alguma atitude em relação a isso.
Por um lado, é bom ver esse jogo fora da prisão do PS3. AQUAPAZZA é um jogo muito charmoso, eu adoro os sprites 2D, os cenários são super criativos e têm uma ótima trilha sonora, e tanto a apresentação visual quanto o combate são divertidos e engajantes, ainda mais se você for fã das franquias da Aquaplus.
Por fim, AQUAPAZZA é um bom jogo, e reflete uma época bem curiosa dos jogos de luta e da Aquaplus. Porém, em seu estado atual, fica extremamente difícil recomendar um jogo com tantos problemas de desempenho, bugs, falta de otimização, é um trabalho que honestamente parece rushado e inacabado.
AQUAPAZZA: Aquaplus Dream Match
Shiravune
Aquaplus, Examu, Team Arcana
PC