Crítica: Avatar Legends: The Fighting Game

Por Leonardo Costa

Nota: 9

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Avatar é uma série animada da qual eu gosto muito e que marcou a minha infância. Lembro também que, nos jogos, eu joguei muito feliz quando era guri o jogo de Nintendo Wii, podendo usar o Wii Remote para realizar a dobra dos elementos no jogo. Então, quando anunciaram um jogo de luta da franquia, eu fiquei animadíssimo, ainda mais sendo 2D.

E é nisso que consiste Avatar Legends: The Fighting Game, um jogo de luta 2D desenvolvido pela Gameplay Group International e distribuído pela PM Studios e pela Skydance Games. Aqui temos 12 personagens disponíveis entre as séries da Lenda de Aang e da Lenda de Korra, totalmente feitos com sprites 2D que parecem saídos diretamente da série animada.

Avatar Legends The Fighting - Aang vencedor

Tive a oportunidade de testar de forma antecipada o jogo e agora conto a vocês a minha experiência completa com ele.

O que temos para fazer aqui?

Avatar Legends apresenta uma quantidade de conteúdo satisfatória para um jogo de luta, eu diria. O mais importante é que seu modo online, casual ou ranqueado, possui, pelos testes que pude realizar, uma boa conexão e conta com crossplay, o que é super importante para ajudar na longevidade do jogo. Sendo esse o modo como os jogadores mais fiéis vão gastar seu tempo, é importante que ele seja feito da maneira certa. Aqui podemos também criar um lobby para convidar amigos ou para que desconhecidos possam entrar, assim como podemos, através do matchmaking, puxar uma partida rápida.

Além do modo online, o jogo possui um modo versus local, o que não deveria ser grande coisa, mas para 2026 é sempre bom destacar a sua presença, já que alguns estúdios parecem esquecer do quão essencial isso é. Um modo arcade também está presente, onde escolhemos um personagem e fazemos uma série de lutas com uma minúscula historinha no meio para “justificar” e, no final, recebemos uma pontuação com base no desempenho.

O jogo também possui um modo história, que conta com um enredo próprio para ele. É um enredo bem simples mesmo, mas ao menos é a tentativa de algo original e de usar todos os personagens presentes, dando interações que nunca conseguiríamos ver e dando uma nova faceta a eles também. O único problema é que, às vezes, o senso de humor do jogo dá uma exagerada, fazendo com que eu me desagrade de algumas partes. Senso de humor sempre esteve na franquia e é bem-vindo, mas aqui alguns personagens e algumas tiradas não funcionam tão bem como os idealizadores imaginam.

Avatar Legends The Fighting - Piada Ozai

A trama também tenta criar um mistério sobre o que está acontecendo, realmente tentando prender a atenção do jogador. Novamente, é algo simples, mas há uma tentativa de fazer algo legal e não algo apenas jogado para dizer que tem. Só que o que mais afeta nesse modo e na sua imersão é a falta de animações para as cenas de história em si. Eles tentam, com os recursos que têm, fazer algo que não seja apenas uma tela com texto ou personagens parados, estilo VN falando, mas, em um jogo em que um dos seus grandes destaques é sua animação 2D no combate e de uma franquia que é justamente animada, algumas cenas, mesmo que curtas, aqui, com o estilo da série, teriam sido perfeitas.

O modo história conta também com um sisteminha de níveis e uma loja onde podemos comprar as assistências do jogo para aprimorar nossos personagens. É interessante para dar uma diferenciada de apenas uma partida convencional e também acaba sendo importante, já que o jogo possui Novo Jogo+ e Novo Jogo++. Algumas das missões também possuem objetivos que entregam ouro ao serem completados, e esse ouro a gente usa para comprar os itens da loja ou para comprar as coisas na galeria do jogo.

Finalizando os modos de jogo, nós temos o tutorial, um geral com as mecânicas do jogo e outro que funciona como um tutorial individual de cada personagem. Isso é interessante, já que podemos conhecer cada personagem de forma mais individual, visto que o tutorial, além de explicar coisas que o personagem faz, é um leve treino de combo também. Contudo, o tutorial geral eu acho que acaba não sendo totalmente suficiente para ter total noção das mecânicas. Para entender mesmo, a gente tem que acessar um menu que tem essas coisas explicadas apenas em texto, o que é um pouco chato, para ser sincero.

Avatar Legends The Fighting - Korra Golpe Supremo

Além do tutorial, temos os desafios de cada personagem, nos quais o jogo apresenta os combos deles e nos desafia a executá-los. Eu, que não sou nenhum expert em jogo de luta e sou péssimo em executar essas sequências de comandos de forma certinha, consegui completar bem poucos, mas é bom ter para quem quiser treinar e praticar com os bonecos. Tanto o tutorial quanto os desafios têm uma demo que mostra o que tem que ser feito e apresenta um modo de teste, onde funciona quase como um jogo de ritmo: ele vai comandando a sequência e a gente tem que executar o comando no tempo certo, dando, no final, uma pontuação de acordo com o tempo da nossa execução.

Esse teste é uma boa maneira de indicar o tempo dos comandos para que o jogador se acostume com o ritmo dos combos, mas, pelo menos para alguém mais leigo como eu, ele acabou não me dando tanta ideia do tempo correto das coisas. Se você não leva tanto jeito para a coisa, vai ter que gastar um bom tempo se acostumando. E acho que, se você já for mais habituado, você vai gostar bastante disso para pegar o tempo de tudo. No fim, é prática: uns vão conseguir de forma mais rápida e simples e outros vão ter mais trabalho.

Um modo de treino livre também está presente no jogo, onde podemos ficar testando os bonecos livremente em cenários que criamos e tudo mais. Não sou o mais capacitado para indicar todas as peculiaridades do modo livre daqui, mas pelo pouco que eu entendo, me pareceu um modo completinho e bom para ficar praticando. O jogo também conta com a galeria, que possui ilustrações, músicas e onde ficam salvas as reprises de nossas partidas.

Dobrador de combo

Como já enfatizado, onde o jogo brilha e onde a maioria dos seus recursos foi focada é dentro da batalha, em sua jogabilidade. Aqui temos personagens bem rápidos, outros mais equilibrados, projéteis, grabbers, luta no ar, armor, traps e outros exemplos que talvez escapem da cabeça agora. Realmente é um elenco bem equilibrado e que entrega variedade de opções para os mais diferentes jogadores. Nenhum dos personagens me pareceu ruim ou fraco, só houve os a quem eu não me adaptei ao estilo e os que acabam fluindo mais facilmente, sendo totalmente uma questão de gosto e estilo.

É um jogo de 3 botões de bater e um botão que utiliza o Foco. O foco é representado por uma barra e o utilizamos para ajudar na locomoção, seja para se aproximar ou se afastar do oponente, como para iniciar ou dar follow-up em combos e, por último, para desviar de golpes (no maior estilo Goku Instinto Superior). Algumas dessas ações gastam a barra de foco e, se a esgotarmos, entramos em estado de desequilíbrio, onde ficamos mais suscetíveis a golpes e danos, e o golpe supremo nos mata se formos atingidos. É uma mecânica interessante, que traz versatilidade, mas que também leva um tempo para se acostumar.

Avatar Legends The Fighting - Rasteira Azula

Para os golpes especiais, supremo e os EX, a gente possui uma outra “barra” que é representada por umas esferas de energia que ficam abaixo da barra de foco. Nós começamos a partida com 5, mas caso a gente perca um round, ela aumenta para 7. Essas barras são gastas para os golpes supremos, que são realizados de forma bem simples, com meia-lua e três botões de ataque. Se for meia-lua para frente, usamos o supremo de 4/5 barras e, se for meia-lua para trás, usamos o supremo de 7 barras. Os EX, que são golpes especiais fortalecidos que gastam 2 barras e são realizados com 2 botões e meia-lua também. Enchemos essa barra de energia ao atingir golpes especiais ou agarrões no oponente.

Como deu para perceber, o personagem só vai estar no seu “auge” caso ele perca um round, liberando assim as duas esferas finais e o golpe supremo de 7 barras. Só que alguns personagens têm mecânicas a mais com isso, como o Aang, que pode entrar no modo Avatar se perder um round e pegar as 7 barras, ou a Azula, que, ao perder um round, entra no modo Postura do Senhor do Fogo, modificando a sua jogabilidade em relação à Postura Centrada na qual ela começa. Isso acaba sendo bom para diferenciar os rounds e também dar mais arsenal para que viradas aconteçam.

Outra coisa que muda bastante o combate, pois muda os personagens, são as assistências. Sempre que for batalhar, você pode escolher 1 entre 3 assistências disponíveis para cada personagem. Cada uma dessas assistências vai conceder algum efeito diferente ao personagem. Algumas são mais simples, só aumentando o poder de algum golpe, já outras estendem animações, movimentos ou estados dos personagens e outras acabam até criando novas rotas de golpes para os personagens. Ozai, por exemplo, uma de suas assistências permite que ele vá para uma rota mais grappler. A Azula tem uma que já faz com que ela inicie a luta no modo Postura do Senhor do Fogo e outra que prolonga a Postura Centrada.

Avatar Legends The Fighting - Suprema Kyoshi

Essas assistências realmente fazem a diferença e dão ainda mais versatilidade aos personagens. Isso também cria o fato de que uma mirror match tenha jogabilidades bem diferentes entre os bonecos. O que é bem legal, já que cada personagem já é bem diferente do outro, apresentando versatilidade e estilos diferentes entre si. Dois dobradores de fogo não são iguais, sendo bem diferentes no seu estilo, por exemplo. Assim como os Avatares, também não são nem um pouco parecidos entre si. Num ambiente já bem diverso, ter essas opções de individualidades nos próprios personagens é bem bacana e ajuda o jogador a encontrar a sua zona de conforto, já que ele tem mais opções.

Eu achei o jogo bem técnico, a ponto de querer comprar um arcade stick ou uma hitbox. Só que o jogo também contém autocombo com o golpe fraco para auxiliar os jogadores novatos, mas que é apenas uma base e um meio de eles poderem fazer algo minimamente mais refinado. Já que os verdadeiros combos, com suas diversas rotas, estão atrás de muita sequência de botão e timing. Acaba sendo um jogo que apresenta um começo para os novatos entrarem, mas que, para dominar, requer muito treino e habilidade.

Estado Avatar

Avatar Legends: The Fighting Game é não apenas um ótimo jogo de luta, mas um ótimo jogo de Avatar. Com um combate divertido, diverso e profundo, o jogo consegue mostrar, através da sua jogabilidade, as diferentes personalidades e estilos dos personagens presentes, sendo ótimo para os fãs da franquia vivenciarem cada um deles mais uma vez. O jogo também faz bem em apresentar uma porta de entrada convidativa a novatos e ao mostrar bastante profundidade e técnica para quem quiser mergulhar de cabeça, sendo ótimo para os amantes de jogos de luta.

A sua quantidade de conteúdo também satisfaz num primeiro momento aqueles que não querem mergulhar apenas em treino de combo e partidas online, apesar de que, à medida que nos afastamos do combate em si, começamos a perceber que talvez tenha faltado verba para deixar os outros modos com a qualidade que talvez merecessem ter. Contudo, eles ainda parecem buscar entregar algo legal com os recursos de que dispunham.

Avatar Legends The Fighting - Toph Celebrando

No fim, a recomendação, ainda mais com o preço muito bem localizado (ao menos no PC), é mais do que certa. Seja você um amante de Avatar apenas ou seja você o viciado em jogos de luta. Com o primeiro passe já garantido, fico na ânsia de ver como as caras novas serão trabalhadas dentro da diversidade do jogo e com a esperança de que o jogo perdure por bastante tempo, gerando assim o desejado equilíbrio que o Avatar busca trazer ao mundo.

Nome do jogo:

Avatar Legends: The Fighting Game

Publisher:

PM Studios, Inc. & Skydance Games

Desenvolvedora:

Gameplay Group International

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2

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