Crítica: BIRDCAGE – O Céu é o Limite?

Por Matheus Megazao

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

A parte visual de um jogo é uma das que menos importa na minha escolha de jogá-lo, por ser muito fácil se acostumar a um visual feio ou sem graça se todo o resto for interessante. Ao mesmo tempo, existem alguns raros casos em que eu me deparo com um jogo tão visualmente interessante que ele instantaneamente se torna a próxima coisa que mais quero jogar. BIRDCAGE foi um desses casos, onde um breve vídeo de alguns segundos foi suficiente para me vender esse shmup que é tão cativante por dentro quanto por fora.

Pássaros, gaiolas e ovos do universo

O jogo se passa em um cenário futurista onde a humanidade conseguiu viver no espaço, e agora você tem duas facções que controlam diferentes pontos de interesse. Você joga como uma piloto que acorda em uma colônia espacial e aparentemente tem uma única missão: destruir um ovo que aquela facção quer usar para recriar o universo. Enquanto essa não é a narrativa de jogo de navinha mais maluca que eu já vi por aí (esse título fica com a série DoDonPachi), ela é maluca e intrigante em proporções iguais a ponto que me manteve interessado na história – algo que é útil, já que ela se faz mais presente que a média do gênero durante as fases.

Além de coisas como uma cutscene bem estilosa no começo, BIRDCAGE apresenta pequenos diálogos (e às vezes até breves cenas) entre as fases que progridem a narrativa, mas o maior destaque aqui são as conversas de codec. Ao longo das fases você geralmente vai receber um chamado de ligação que pode ser atendido para ter uma conversa com algum personagem, enquanto perto do chefe da fase ocorre uma ligação obrigatória, e ambos são uma forma interessante de transmitir diálogo sem sofrer daquele problema de você ter que ouvir e prestar atenção enquanto se vira em meio a hordas de inimigos. Meu maior problema com essas ligações, porém, é como elas simplesmente param o jogo. Atender não só pausa a ação, como também a (excelente) trilha sonora, então o que tinha potencial para te engajar ainda mais no que está acontecendo acaba virando um momento de silêncio em que você só para para ler texto. É peculiar porque esse defeito só se destaca dessa forma para mim por causa do contraste com o excelente ritmo que todo o resto do jogo estabelece.

Agora, por mais que eu tenha sido atraído para o jogo justamente por causa da estética dele e as claras referências visuais a Metal Gear, eu acho que na prática eles pesam a mão um pouco demais. Pensando só na estética e fontes, ainda há o argumento de que os jogos da série Metal Gear não patentearam nenhum deles e tal, porém, quando você soma a isso o quão idênticas são as chamadas de codec, eu acho que BIRDCAGE começa a chegar muito perto da fronteira entre inspiração e cópia. E eu, obviamente, não falo isso do ponto de vista de advogado da Konami, mas sim como alguém que curte muito do que BIRDCAGE faz e que sente que ele perde um pouco de sua identidade própria ao errar nessa dosagem.

Balas x Espadas

Algo que me chamou a atenção de cara no jogo foi que, apesar de ser um shmup vertical, o espaço útil horizontal da tela é muito maior que a média de outros nesse estilo. Isso é bem utilizado de algumas formas diferentes na jogabilidade, a começar pelos inimigos. Enquanto mecanicamente eles não são tão variados, aqui eles te enfrentam tanto com balas mais tradicionais de shmup, quanto com padrões de bullet hell – ou seja, você terá que desviar de balas mais esparsas e rápidas em conjuntos de outras em padrões densos e lentos, o que aproveita muito bem o maior espaço horizontal a seu dispor.

Ao mesmo tempo, você também está duplamente armado: com balas e espadas. As balas oferecem a possibilidade de tiros mais espalhados com velocidade de movimento ou de tiros concentrados, onde você se move mais devagar, enquanto a espada pode ser tanto arremessada em direção aos inimigos quanto usada para combate “corpo a corpo”. Esse último uso em particular eu sinto que abre muitas possibilidades para jogadores melhores que eu descobrirem formas muito interessantes de otimizar as fases, o que torna esse espaço extra útil na defensiva e ofensiva ao mesmo tempo. Por mais que eu seja apenas um jogador casual de shmups e não possa opinar definitivamente em relação à profundidade dessas mecânicas na mão de jogadores mais experientes, posso pelo menos garantir que senti que constantemente tinha as ferramentas necessárias a meu dispor para lidar com o que o jogo colocava no meu caminho.

Qualidade e quantidade

Com todo esse nível de qualidade na apresentação do jogo, parte de mim esperava que BIRDCAGE fosse ter um pouco mais de conteúdo, mas o que temos aqui é o padrão para jogos do gênero. Além do modo história com 6 fases e 3 dificuldades, o jogo também tem um modo arcade (que consiste nas fases do modo história, porém sem cutscenes e diálogos) e um time attack (onde você rejoga as fases com o objetivo de obter tempos melhores), que são escolhas seguras para o jogador que gosta de tentar fazer campanhas “perfeitas” sem morrer, mas cujo conteúdo não vai variar do presente no modo história.

Ainda assim, falando do ponto de vista de quem gosta de jogar shmups mais ocasionalmente e definitivamente não é bom neles, eu acho que BIRDCAGE oferece tanta personalidade e uma jogabilidade tão amarradinha em seu breve conteúdo que vale a pena ter essa experiência. Ele é um daqueles raros casos em que seu todo é tão bom, que as pequenas partes que não são acabam justamente se destacando mais. Ainda assim, não é porque esse pássaro não voa tão alto quanto pode que ele não merece o céu.

 
 

 

 

Nome do jogo:

BIRDCAGE

Publisher:

POLYGON BIRD

Desenvolvedora:

POLYGON BIRD

Plataformas Disponíveis:

PC

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