Crítica: Denshattack! – Eita trem bom

Por Leonardo Costa

Nota: 10

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Denshattack! é um jogo de plataforma 3D, desenvolvido pelo estúdio Undercoders e publicado pela Fireshine, onde fazemos drift, saltos e manobras controlando um trem por um Japão distópico. Sim, é isso mesmo que você leu: você faz manobras com um trem e isso, na prática, é tão daora quanto soa.

Com essa sua proposta meio doida e visuais muito estilosos, o jogo me chamou a atenção desde o primeiro evento em que apareceu. Desde então, fiquei na expectativa de poder jogar e tive a oportunidade de jogá-lo antecipadamente para trazer essa review para vocês.

Denshattack! - Denshattack existe mesmo

Então, sem mais delongas, vamos à minha opinião depois dessa minha aventura nos trens japoneses.

A Denshattacker lendária

O enredo do jogo começa com a nossa protagonista, Emi, indo realizar suas rotineiras entregas de lámen por Kyushu com o trem que herdou de seu pai. Uma dessas entregas é para Fernando, que fica maravilhado ao ver as manobras de Emi com o trem. Acreditando no potencial da garota, ele lhe apresenta o Denshattack, um esporte em que as pessoas realizam manobras com seus trens. Maravilhada com o que viu e incentivada por Fernando, Emi então parte em jornada com ele para desafiar outros Denshattackers famosos e então se tornar a maior Denshattacker de todas.

Durante a aventura, vamos atravessando um Japão distópico, que foi altamente afetado por uma catástrofe climática, e que agora divide sua população entre os que vivem em grandes domos espalhados pelo país e os forasteiros que vivem nas áreas externas. Esses domos são controlados pela megacorporação Miraido, que também trata os Denshattackers como criminosos e possui o dito por eles trem mais rápido de todos, que é controlado pela IA, VACTREM.

Cada vez mais cientes do mal causado pela Miraido, Emi e Fernando acabam iniciando também uma luta para derrubar a megacorporação e trazer liberdade ao Japão. Nisso, eles vão enfrentando outros Denshattackers pelo caminho e aumentando seu grupo de amigos e aliados.

Denshattack! - Encontrei meu lugar

No geral, a história é bem direta ao ponto e simples, não buscando criar algo profundo ou mirabolante. Temos uma protagonista carismática e talentosa, um grupo do mal e embates com pessoas únicas e de personalidades fortes e bem definidas. É uma simplicidade super bem-vinda e que combina bem com o jogo, afinal, o maior foco é sua jogabilidade criativa e frenética.

Só que, mesmo simples, o enredo aqui não é nem um pouco descartável. Ele agrega bastante e brilha com o carisma de seu enredo e principalmente de suas interações. A maioria das cenas aqui é apenas um estilo visual novel com uma (ótima) dublagem, mas, quando necessário, temos algumas cenas animadas e outras poucas no gráfico do jogo. É tudo muito bem colocado e foca muito bem seus recursos nos momentos em que é mais impactante.

Como disse, o enredo brilha demais, ainda mais quando interagem entre si. Cada um tem um visual muito único e estiloso, que combina com sua personalidade. O jeito que agem e falam também está muito bem encaixado com os arquétipos. E, ainda assim, eles possuem um pouco de camada em suas personalidades, como, por exemplo, a patricinha não é simplesmente fútil, mostrando, no decorrer da história, possuir bastante consciência das coisas ao seu redor, e a personagem durona possui também uma fragilidade e um lado doce.

Denshattack! - Fica na sua Calvo

O jogo possui também as partes das fontes termais, que podem ser liberadas se acharmos o caminho durante determinadas fases, e esses momentos são bem legais para aprofundar não só a nossa relação com os personagens, mas a relação entre eles, destacando informações e conversas que são bem legais, mas que não se encaixariam totalmente durante as cenas principais, então, deixando aqui como algo um pouco secundário para quem quiser usufruir, é super bem-vindo.

Voltando aos visuais que mencionei acima, não só os personagens estilosos se destacam, mas a ambientação nesse Japão distópico também é legal e muito bonita. É um Japão bem vibrante em cores, que, anos após o desastre climático e a diminuição de humanos nas áreas externas, por causa dos domos, está recuperando a sua vegetação, criando ambientes belos que misturam a presença humana, escombros e a natureza.

Denshattack! - Mapa do jogo

No geral, eu não havia embarcado nessa aventura esperando me apegar ao seu enredo e aos personagens, mas saio super contente por ter vivenciado essa história em um ambiente tão bonito e criativo. Enquanto jogava e enfrentava ótimos chefes em batalhas frenéticas, só me sentia como se estivesse assistindo ao anime Tengen Toppa Gurren-Lagann. Era puro hyper moments da mais pura qualidade.

A mensagem de que a perseverança e a força de vontade podem fazer o impossível parecer bem possível e de que nenhuma IA irá superar a alma humana também é super bem-vinda em momentos como os que vivemos. Meu único ponto negativo é que, pelo menos na build que fiz a crítica, não era possível aumentar a resolução acima de 1080p, o que é uma pena, pois o visual poderia estar ainda mais bonito com uma resolução e definição maiores.

Driftando com seu trem no Japão distópico

A história do jogo foi positivamente uma surpresa para mim, mas o jogo busca brilhar mesmo em sua jogabilidade, onde toda a criatividade dos desenvolvedores é mostrada. O jogo funciona da seguinte forma: ele é dividido em capítulos, e cada capítulo tem diferentes fases dentro dele, que culminam numa luta de chefe no final. Essas fases possuem diferentes formatos, como buscar uma pontuação x, completar um trajeto apenas, completar objetivos dentro de uma área ou até uma corrida contra outros Denshattackers.

Ao terminar cada fase, a gente recebe uma pontuação de acordo com o nosso desempenho ali dentro. Essa pontuação é um somatório da nossa performance nas seguintes áreas: pontuação de manobra, tempo de conclusão, realização de pequenos desafios e quantidade de colecionáveis pegos. Com base nisso, podemos não ganhar medalha nenhuma ou ganhar uma medalha de bronze, prata ou ouro.

O bom do jogo é que ele não é muito punitivo caso você não vá super bem. Tirando algumas fases que requerem que você pegue uma pontuação mínima ou em corridas onde tem que chegar no pódio pelo menos, o jogo vai avançando independentemente da sua pontuação, contanto que você conclua os objetivos de cada estágio. Isso permite que você não tenha que virar profissional para poder ir avançando no jogo.

Denshattack! - Tutorial manobras

Só que, com o sistema de pontuação, você fica incentivado a retornar às fases e melhorar seu desempenho. E, se você quer ter um bom desempenho, vai ter que ralar para valer, porque, nesse ponto, o jogo não alivia e você tem que pegar a medalha de ouro em cada área de performance. O bom, pelo menos, é que não precisa ser tudo numa mesma tentativa, já que ele salva o seu melhor desempenho em cada ponto. Assim, você pode acabar focando em determinada coisa de uma vez, caso esteja com dificuldade.

Já as fases de enfrentar chefes também mantêm a estrutura para seu ranking ao final, mas com a inclusão de divertidíssimas batalhas contra esses chefes. Cada uma utiliza a mecânica introduzida em seu capítulo (fora as anteriores) e todas são megalomaníacas e criativas para caramba, combinando também com a personalidade do chefe.

Falando um pouco sobre o controle do trem agora, você pilota ele pelos trilhos no mapa, realizando saltos, fazendo manobras, drifts, pegando o grid por todo o mapa e até buzinando. Como o mapa foi devastado pelo evento climático, não é uma viagem tranquila em linha reta; logo, temos que ir mudando de trilho pelo caminho, desviando de objetos deixados e até improvisando caminhos pela jornada. E, como dito, cada capítulo vai introduzindo uma mecânica nova por cima das que já existiam, então você está o tempo todo tendo que fazer uma coisa nova.

Denshattack! - Grind

Essas mecânicas incluem até sair do trilho para andar por algumas superfícies de maneira solta, pegar impulso em correntes aéreas, mudar sua gravidade e ser capaz de acessar correntes magnéticas que foram deixadas pela catástrofe climática. Os controles podem ser confusos no começo e a cada adição essa confusão volta à tona novamente, mas toda vez que você começa estranhando os comandos, logo você se acostuma e as coisas começam a fluir naturalmente.

É aquele jogo com o qual você precisa realmente se acostumar com os comandos e as coisas para fazer, com o tamanho das possibilidades disponíveis. As manobras, essas liberadas todas de uma vez só, são outra coisa para se gravar também. Elas são executadas com o analógico direito quando estamos no ar e são comandos de estilo de jogo de luta de girar ou mover o analógico em diferentes direções. Cada manobra é separada por um nível de execução e entrega uma determinada pontuação, com sequências aumentando os pontos e nosso multiplicador.

Um possível lado ruim (não para todos) é que o jogo vai estar sempre te jogando para fora da zona de conforto ao introduzir algo novo para você gravar, só que isso também gera algo bem positivo que é não cair na repetição e na monotonia. O jogo constantemente está se renovando para que não se torne repetitivo. Isso acontece com a inclusão gradativa de mecânicas, com os diferentes estilos de fase e com as batalhas de chefes que jogam sua dopamina lá no alto.

Denshattack! - Manobra enquanto o Kaiju ataca

O seu tempo de jogo não ser longo também ajuda, tendo, na minha opinião, um tempo perfeito (terminei com volta de 12h). O incentivo de ir atrás das pontuações maiores já é o suficiente para estender sua jogabilidade sem precisar inflar desnecessariamente a campanha. As coisas aqui parecem todas muito bem pensadas e equilibradas para que a gente não enjoe durante o caminho.

Só que não é apenas de manobras que vive um trem, afinal, poder customizá-lo para deixá-lo no nosso estilo é também uma parte importante. Aqui podemos customizar a cor e o padrão em que as cores são exibidas, além de selecionar a pintura que aplicaremos. Sendo honesto, é uma customização simples, visto que cada trem tem 3 possíveis paletas e 3 padrões de exibição. Nesse sentido, eu sinto que poder montar nossa paleta seria o ideal. As opções de pintura são boas e há bastantes disponíveis de diferentes temas, incluindo dos personagens do jogo.

Denshattack! - Na boca do tubarão

Parcerias também com diferentes criadores de conteúdo, incluindo algumas V-tubers famosas como Ironmouse, Shiori Novella e Irys, entre outras, foram anunciadas e trazem ainda mais opções não apenas de pinturas, mas de vozes também ao jogo. Isso ainda não estava disponível nessa versão que testei, então não posso opinar o quão aplicado foi, mas pelo trailer parecia legal. Um pacote também com pinturas das estações do ano vai estar disponível no lançamento, mas ainda não teve seu preço revelado. De qualquer maneira, é um aspecto apenas cosmético, então não vejo como uma DLC ruim.

Além de diferentes cores e pinturas, temos também diferentes tipos de trem. Cada um tem seu visual e formato, além de alguma habilidade adicional. Isso acaba entregando aos jogadores mais possibilidades de jogar com o seu estilo e de se sentirem confortáveis. Essas habilidades envolvem aumentar ou multiplicar um tipo de manobra, melhorar a execução de saltos, drifts ou grids. Só que elas, ao mesmo tempo que melhoram algum aspecto, costumam piorar outro para trazer um equilíbrio. Então, faz você pensar mais no que vale a pena para sua jogabilidade e objetivo. O bom é que cada trem tem seu uso, já que existem várias situações em que podem ser encaixadas e essas mudanças também ajudam naquilo de não deixar as coisas monótonas.

As pinturas e os diferentes trens são adquiridos comprando com os colecionáveis que vamos pegando pelas fases, o que acaba se tornando também um incentivo a voltar às fases e melhorar nosso desempenho. E também pelo fato de que nem toda fase dá para pegar os colecionáveis numa tentativa só, visto que algumas possuem caminhos diferentes internamente.

Denshattack! - Chefe Guitar Hero

É bom também destacar a trilha sonora do jogo, que é incrível e traz alguns artistas como Tee Lopes, 2 Mello, Sean Bialo, Yonosuke, entre outros, com a própria Ironmouse participando de uma das músicas. É uma trilha bem gostosa de ouvir e que consegue criar hype nos momentos devidos. Se você tem vontade de ficar ouvindo, você pode encontrá-la aqui e entrar nos agregadores de música.

O que dá para resumir disso tudo é que o jogo é super divertido e busca a todo tempo incrementar essa diversão para que ela não se torne repetitiva e monótona, e pelo menos na minha experiência funcionou muito bem. O começo pode ser de estranheza e talvez de uma leve frustração, mas logo as coisas se encaixam e se tornam mágicas. Mesmo com o jogo te tirando da zona de conforto a cada capítulo e existindo algumas mecânicas com as quais você possa lidar pior do que com outras, em momento nenhum há nada que não se encaixe depois de um pequeno tempo para se acostumar.

A progressão mirabolante dos acontecimentos e das loucuras que a gente faz é divertida demais, de enfrentar kaijus a andar de skate com um trem, cada coisa é uma ideia que soa louca de se fazer com um trem e isso é sensacional demais. Diversão realmente é o ponto principal aqui e ela está presente a todo momento, fazendo com que a experiência com o jogo se torne um deleite.

O meu jogo favorito do ano até o momento

Eu sinceramente não tenho palavras para descrever o quão bom é Denshattack!. Um jogo que apresenta uma ideia maluca de subir num trem e ficar realizando manobras que desafiam completamente a gravidade, e que executa toda essa criatividade de forma maestral, trazendo um equilíbrio sublime para que o jogador esteja o tempo todo engajado e com a dopamina lá em cima para não cair na sensação de repetição e monotonia. A história é simples e direta, mas com muito bom humor e alma, acaba entregando algo que engrandece a jogabilidade também e sendo uma adição até inesperada para um jogo do qual você não espera muito de um possível enredo.

Denshattack! - Eu amo Denshattack

Eu terminei o jogo com um sorriso no rosto e lembrando do porquê eu amo tanto videogames. É o meu jogo favorito de 2026 até o momento, por se tratar de algo que esbanja criatividade, diversão o tempo todo e na medida certa e o mais puro suco de hype moments insanos. Espero que todos possam dar uma chance ao jogo se tiverem a oportunidade e, obviamente, ele não vai acabar clicando com todo mundo, mas acredito que aqueles que se conectarem ao jogo e à jogabilidade fluir vão amar. Eu não poderia recomendar mais essa obra e agora ficarei de olho no pessoal da UnderCoders para ver os seus próximos trabalhos, já que esse me conquistou completamente.

Nome do jogo:

Denshattack!

Publisher:

Fireshine Games

Desenvolvedora:

Undercoders

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch 2

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