Crítica: Final Fantasy Resonance – Uma bela mistura

Por Jean Kei

Nota: 8

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Final Fantasy Resonance é um jogo que me trouxe vários sentimentos. Ao mesmo tempo que sinto que ele consegue se sustentar completamente sozinho e poderia ser um jogo numerado, também sinto que metade do carinho que tive pelo jogo é devido ao peso que a franquia toda carrega. Esses pensamentos um pouco contraditórios se estenderam por toda minha experiência, que foi bastante positiva, mas tive momentos baixos com ele. 

Mas do que esse jogo se trata para começo de conversa?

Final Fantasy Resonance é o jogo mais recente da franquia Final Fantasy, adotando o estilo HD-2D, um estilo de pixel art que começou com Octopath Traveler e que a Square Enix vem adotando de forma recorrente em diversos jogos.

A história é baseada no jogo gacha Final Fantasy Brave Exvius, mas com uma proposta de reescrever bastante da história, mudar a ordem de acontecimentos e colocá-la numa estrutura de um RPG tradicional. É similar ao caso de Octopath Traveler 0, que pegou o gacha Champions of the Continent e o transformou num jogo offline tradicional e reescreveu sua história. Dito isso, não joguei Brave Exvius, mas, pelo que pesquisei, as mudanças e reestruturação que Final Fantasy Resonance faz são mais profundas. A ordem de eventos, alguns acontecimentos em si e o teor de diversas cenas que comparei são muito diferentes. Além de tudo, o final da primeira temporada de Brave Exvius termina num cliffhanger para continuação, já Resonance altera certos elementos-chave do clímax para terminar como uma história fechada.

Um jogo cheio de misturas, porém, coerente

A primeira coisa que me chamou atenção no jogo foi sua estética. O jogo abre com uma cutscene que mistura elementos renderizados em 3D com pixel art, às vezes me remetendo a uma estética low poly, às vezes a algo mais realista, mas sempre bonito e estranhamente consistente.

O jogo em si é cheio de cenas com os modelos pixel art em 2D, cheio de movimento e direção de câmera, construindo cenas complexas e com arzinho cinematográfico. Dentro das lutas, os ataques especiais das suas invocações e Visions (logo explico sobre) apresentam animações realistas, que são a pegada de jogos mais recentes da franquia.

É um jogo com múltiplas abordagens visuais que consegue trazer essa dinâmica sem parecer algo amador ou mal feito. Com certeza, um dos pontos mais altos desse jogo é em como ele é muito bonito.

Inclusive, esse jogo me lembra muito o período em que Final Fantasy se preocupava muito em ser um show visual. Além de cutscenes, o jogo tem vários golpes com bastante animação estilosa e longa (que você pode pular e acelerar, não se preocupe).

Desafio na medida certa

Joguei o jogo transitando entre dificuldades, a fim de comparar. Acabei jogando a maior parte do jogo no Normal, mas uma boa parcela de momentos e alguns chefes estava na dificuldade Expert e saí com algumas conclusões.

As três dificuldades têm dinâmicas únicas e não se trata apenas de “chefe com mais vida” e só. Jogar no Casual é de fato para quem só quer a história e não quer pensar em sistemas; a dificuldade Normal exige que você saiba o que está fazendo, com um pouco de atenção dificilmente passará perrengue, já a dificuldade Expert exige que você tenha compreensão real do sistema, use bem seus recursos e pense na composição de seu time.

Jogar no Expert não é nenhuma dificuldade de outro mundo, mas é um bom desafio para quem reclama que RPG por turno costuma ser apenas “acerte a fraqueza do seu inimigo, se cure e repita o processo”. Passei por chefes opcionais que me deram bastante trabalho e tive que quebrar um pouco a cabeça para derrotar, e foram batalhas intensas e bem gratificantes.

O sistema de combate é por turnos. Todos os inimigos têm duas barras: a de vida e a de stagger. Há golpes que aumentam o dano na barra de stagger, e acertar a fraqueza do oponente causa um dano maior naquela barra também. Caso você destrua a barra de stagger, o alvo ficará atordoado por um turno, ficará mais suscetível a danos e quem deu o golpe final na barra ganha um turno bônus (se todos os inimigos do combate estiverem nesse estado, todos ganham turno bônus). De vez em quando os inimigos podem preparar um superataque, e cabe a você decidir se é melhor se preparar para aguentar um supergolpe ou tentar atordoá-lo antes que o ataque seja executado.

Na parte de cima da tela tem uma linha do tempo, mostrando a ordem das ações de cada personagem. Parte da estratégia envolve planejar as ações conforme a ordem de quem as fará.

Além do grupo per se, você tem o auxílio de Visions, que são essências cristalizadas de pessoas, uma espécie de fragmento de memória. A maioria das Visions são de “figuras de outro mundo”, que compõem protagonistas de outros jogos da série Final Fantasy. Equipar uma Vision lhe dá uma série de habilidades e alguns bônus de atributo. Ao longo das batalhas, suas Visions evoluem e lhe dão bônus permanente e também a possibilidade de colocar algumas habilidades em seu personagem, independentemente de estar equipado com a Vision.

Uma boa combinação de equipamentos e habilidades de Visions pode gerar estratégias interessantes. Como golpes que tiram seu HP enquanto você tem a habilidade de ficar mais forte quanto menos HP tem.

Uma narrativa com altos e baixos

A parte mais forte e mais fraca do jogo está em sua narrativa, que tem altos e baixos.

Ela começa bem rápida e direto ao ponto, contando a história de Rain e seu irmão adotivo Lasswell, ambos cavaleiros de um reino próspero. Vocês são mandados a investigar o templo do cristal da terra, uma das fontes de energia do reino, pois a barreira que o protege parece estar enfraquecida. Chegando ao templo, os irmãos encontram um cavaleiro de armadura negra que destrói os cristais e anuncia que se vingará do mundo, amassando os dois de porrada no processo. Ao voltarem derrotados no castelo, descobrem que ele e mais cinco outros cavaleiros, que se denominam “os seis jurados” destruíram a capital do seu reino atrás de um tesouro e estão a fim de destruir todos os outros cristais ao redor do mundo. Cabendo a Rain e Lasswell entrarem numa jornada para impedir a destruição dos cristais e entender o que estes seis jurados querem.

Ao longo da história, você encontra personagens carismáticos e há momentos bons, ruins, dramáticos e cômicos. A narrativa, em geral, é divertida e funciona, mas houve diversos momentos em que senti que o jogo poderia ir além, mas ficou no básico.

Tive dificuldade de sentir empatia em certas ocasiões que o jogo queria. Não vou detalhar nada para não dar spoiler, mas, quando compreendi as motivações dos vilões, eu fiquei me perguntando se tinha entendido algo errado ou se o grupo de vilões era meio burrinho. Dito isso, ainda saio positivo com o contraste temático de alguns personagens com alguns vilões.

Enfim, o que senti é que, em diversos momentos, o jogo pensou em ótimas cenas, mas algumas vezes pecou em construir o contexto que cria o impacto necessário para a cena ser realmente catártica.

Um ponto interessante da narrativa é que ela passa por muitos momentos que remetem a outros jogos. Alguns de forma bem sutil e mais temática, outros usando até mesmo símbolos. Ao mesmo tempo que é uma história original, ela homenageia frequentemente a franquia como um todo

Há um caso de uma série de sidequests envolvendo um personagem icônico de um jogo aparecendo de forma direta, e até repetindo algumas piadas.

No fim das contas, ainda é um bom jogo

Final Fantasy já foi uma das minhas franquias favoritas, e o jogo faz referências e traz fan service de forma que legitimamente achei legal. Apesar de alguns pesares na narrativa, terminei gostando dos personagens e da aventura que passaram. Para além da narrativa, Final Fantasy Resonance é um ótimo RPG de turnos com um combate satisfatório e que me proporcionou momentos bem intensos.

Espero que a Square Enix encare mais jogos com essa abordagem estética múltipla, porém coesa.

Nome do jogo:

Final Fantasy Resonance

Publisher:

Square Enix

Desenvolvedora:

Square Enix

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2

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