Crítica: Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered – O Rei de novembro

Por Leonardo Costa

Nota: 9

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Godzilla Destroy All Monsters Melee é um jogo desenvolvido pela PipeWorks Software e publicado pela Infogrames, sob a marca da Atari, e lançado para GameCube no ano de 2002, com uma versão de Xbox com melhorias gráficas e conteúdo extra no ano seguinte. Agora, em 2026, a PiPeWorks e a Atari retornam para trazer ao mercado Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered.

Apesar de gostar bastante da figura do Godzilla, eu nunca tinha jogado um jogo dele. Então, ao ver o anúncio dessa versão remasterizada, meus olhos se abriram com a oportunidade de finalmente experimentar um jogo do Rei dos Monstros. Ainda mais que a ideia de um jogo de luta dos Kaijus em um mapa 3D de uma cidade parece uma ideia muito legal.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Anuncio Vortaak

Escolha seu Kaiju para salvar o mundo

A trama do jogo é bem simples e direta ao ponto: seres alienígenas, conhecidos como Vortaak, invadem a Terra na tentativa de dominar o planeta e, para ajudar no processo, eles tomam controle dos Kaijus do nosso planeta e os usam para iniciar uma onda de destruição ao redor do mundo. Só sobra um Kaiju livre do controle deles (o que a gente escolher como jogável) e cabe a ele derrotar os outros montros para salvar o planeta.

Essa descrição foi do modo Adventure, em que você escolhe o seu monstro e encara 7 batalhas ao redor do mundo contra outros Kaiju e então encara o chefe final na nave Vortaak em uma oitava batalha. O jogo tem bastante incentivo à rejogabilidade desse modo, já que, para liberar outros monstros, é necessário completar certos objetivos, como pesquisas ou zerar com algum monstro em específico. Então, por mais curto que ele seja, é algo que você vai acabar jogando com constância.

Dentro do modo Adventure, ainda existe uma divisão que são o Adventure Classic, Gauntlet ou Challenge. O clássico é o basicão, que já falei. Já no Gauntlet, para monstros nível 4+, o modo fica mais difícil e as lutas passam a ter mais de um inimigo. E no Challenge, para monstros nível 7+, o jogo tira continues, então progressos não são salvos durante uma tentativa, diferente do normal, em que você pode repetir uma luta caso perca e aquela campanha fica salva.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Godzilla chutando

Além do modo Adventure, o jogo possui os modos Destruction e Survival, um modo de prática, e o versus offline e online. No Destruction, você tem como objetivo destruir o máximo possível do mapa em determinado tempo, para, no fim, receber uma pontuação por isso. É possível jogar solo o modo, mas fica meio sem objetivo, já que você não está disputando com ninguém, então o ideal é jogar com algum amigo no multiplayer. No modo survival, você enfrenta uma onda interminável de inimigos até que você perca e, no fim de cada vitória, recupera um pouco de HP.

Uma coisa que acabei mencionando já, mas não elaborando, é que o jogo tem um sistema de nível para os personagens. Cada monstro tem seu nível próprio, que vai subindo à medida que jogando com eles em determinados modos. O nível acaba por ser importante, pois, no próprio modo Adventure, os inimigos têm o seu level. Então, a depender de como esteja o seu, a luta pode ser mais fácil ou difícil. Além do nível, o jogo conta com pontos de pesquisa, que são usados para desbloquear novos personagens. Os pontos também são ganhos ao jogar determinados modos. Nesse caso, os pontos são globais.

Uma coisa interessante é, como já dito, determinados modos dão diferentes coisas. O modo história, por exemplo, te proporciona tanto XP de personagem como pontos de pesquisa, mas tem modos que podem dar apenas um ou outro, ou dar mais pontos de algum deles. Isso faz com que, dependendo do objetivo que você esteja almejando, diferentes modos sejam mais eficazes, o que cria um incentivo a jogar mais de uma coisa. E, como o modo básico dá ambos os pontos, caso você queira só ficar ali também, sem engajar outras coisas, também pode.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Sopro atômico Godzilla

No geral, o conteúdo do jogo é ok. Não temos aqui uma super variedade de modos, já que a maioria é lutar contra outros Kaiju, mas eles tentam mudar um pouco as dinâmicas. E, com o fator rejogabilidade e com as coisas para ir liberando, acaba por ter sim motivos para você continuar engajado no jogo. A simplicidade dele também ajuda a não deixar a repetição desgastante, já que tudo é direto ao ponto. E para fechar, o multiplayer também ajuda a dar longevidade ao jogo.

Kaiju destruindo a cidade para salvar o planeta

Na questão de jogabilidade, o jogo apresenta três botões de ataque básicos, que variam entre socos, chutes e golpes com alguma parte pretuberante do monstro, como uma rabada, por exemplo. Tem também um botão para ataques de energia, como o sopro atômico do Godzilla. O jogo conta também com agarrões e com um outro botão para interagir com objetos no mapa, como prédios, pedregulhos, e então podemos arremessá-los no oponente. Além de um botão dedicado para defesa.

Cada monstro conta com status, que são divididos entre ataque, defesa, velocidade e poder (dano de golpe de energia). Isso acaba criando monstros que são mais balanceados, outros mais focados em dano físico, outros mais resistentes e os bons em ficar de longe, soltando ataque de energia. A dinâmica acaba por gerar variedade entre os 12 personagens jogáveis e, consequentemente, também na jogabilidade.

Esses status, por mais que simples, são ótimos para criar uma sensação única a cada personagem. Por exemplo, no elenco do jogo tem dois Godzillas, só que um é melhor em lutar usando energia e outro é mais porradeiro físico. Então, por mais que ambos tenham a mesma base de jogabilidade, eles se diferem no que cada um foca. Mesma coisa com Kaiju diferentes, como o Anguirus, que é super focado na defesa, mas muito ruim em dano de energia, ou de um King Ghidorah, que é ótimo em ataque e defesa, mas é lento.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Kaiju tacando pedra

O maior acerto do jogo para mim é como ele passa perfeitamente a sensação de jogar com um Kaiju. O jogo não é lento demais para virar algo chato, mas também não é rápido demais para não parecer que estamos lutando com criaturas gigantes. O mapa ser extremamente destrutivo também ajuda muito nisso. É muito satisfatório andar pelo mapa do meio da luta, derrubando prédios ou usando-os de escudo, pegando objetos pelo mapa e jogando-os nos oponentes. Um ponto menor, mas que também ajuda a passar essa sensação de Kaiju, é que no mapa fica um pessoal do exército com tanques e jatos soltando missões em você ou no seu oponente.

Durante a partida, também contamos com a participação dos Vortaak, que ficam sobrevoando o mapa com seus ovnis e ficam colocando uma espécie de medalha no campo. Essas medalhas têm tipos diferentes e podem ser uma medalha que cura, uma que recarrega sua barra de energia, uma que invoca uma assistência aérea da Mothra (ela aparece no campo e solta umas bombas) e medalha que lhe deixa em estado de rage. Quando o jogador está em rage, ele, além de mais forte, libera um ataque especial, ao custo da barra toda, que seria como um especial do boneco (são legais, mas nem sempre bons).

Voltando à questão da velocidade do jogo, como falei, ela é bem dosada, e você também consegue sentir bem o status disso. Aqui os combos não se prolongam muito, sendo que você bate um pouco, aí derruba o oponente, consegue até bater nele um pouco no chão, mas, como ele tem como levantar já batendo, então às vezes a pressão vira para o lado contrário se você estiver muito perto para ser atingido. Então é um jogo mais cadenciado, em que você tem que ser inteligente na hora de bater, em vez de sair atacando desenfreado.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Mechagodzilla agarrão

Coreograficamente, os agarrões aqui são sensacionais. Ao agarrar um oponente, podemos jogá-los para longe de maneira simples ou podemos usar dois finalizadores diferentes. E, visualmente, essas finalizações são um espetáculo. É incrível o quão criativo e legal de ver eles são. Um dos pontos altos do jogo, com certeza.

No fim, a jogabilidade de Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered é bem sólida e competente em passar o seu objetivo, que é colocar um monte de Kaiju para lutar entre si. O jogo consegue encontrar a cadência certa para aplicar sua proposta e utiliza bem o cenário ao redor para criar variedade na luta. Os bonecos também conseguem ser variados o suficiente para você não sentir que está jogando com o mesmo boneco sempre.

As melhorias do remaster

Como dito, eu não joguei nenhum jogo do Godzilla anterior a esse, então logicamente eu não joguei nenhuma das versões orignais. Só que, pesquisando a fundo os jogos que deram origem a essa versão, esse remaster consegue ser bem fiel ao que tínhamos, acrescendo realmente só melhorias de vida e uma repaginada no visual.

Uma das coisas que eles alteraram foram os requisitos para liberar muito dos Kaiju bloqueados no início. Não mudaram para algo totalmente fácil e rápido, mas eles deixaram um pouco mais genérico no sentido de que você pode jogar mais algum modo que você curtiu em vez de algum específico que o jogo impunhava antes.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Seleção de personagem

Visualmente falando, eu achei o jogo bonito. Dá para ver que ele é baseado em gráficos mais antigos, principalmente pelos modelos dos Kaiju, mas eles deixaram a textura bem bonita, o que permitiu que o aumento de resolução não ficasse feio. Obviamente não é algo de outro mundo, mas achei um retoque bem competente. O ponto negativo fica em não terem adicionado legendas em português ao jogo. Durante a jogabilidade, pode fazer menos falta, mas o jogo tem tanto colecionável com informação da franquia Godzilla que seria muito legal ter acesso a isso em português.

O Rei dos Monstros

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered consegue ser uma remasterização extremamente competente em trazer um jogo perdido em consoles antigos para os tempos modernos. Com visuais bonitos, algumas melhorias de vida no desbloqueio de personagens e um combate sólido vindo da versão original, temos aqui um grande jogo de Godzilla e um jogo de luta muito divertido, que passa com muita maestria a sensação de controlar um Kaiju no meio de uma cidade.

Godzilla Destroy All Monsters Melee Remastered - Arte de loading

Com um versão tão bacana dessa, só me resta torcer pelo sucesso do jogo, para que assim os resnponsáveis se sintam incentivados a criar uma remasterização dos outros dois jogos da franquia (principalmente o terceiro de Wii, que falam que o motion era tenebroso) ou, se for possível sonhar ainda mais, um jogo totalmente novo nesse estilo, atualizando o elenco com as versões mais recentes do Rei dos Monstros.

Nome do jogo:

Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered

Publisher:

Atari

Desenvolvedora:

Pipeworks Studios

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch 2

Siga o Game Lodge nas redes!

Confira mais dos nossos conteúdos nas nossas redes sociais!