Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Inazuma Eleven: Victory Road é um daqueles jogos que esteve muito perto de virar algo folclórico pelo seu desenvolvimento “eterno” e pela grande quantidade de adiamentos. Ainda mais com a desenvolvedora e editora Level-5 vindo de um período recente de desconfiança, deixando o público preocupado se ela conseguiria se manter ativa no mercado.
Só que, depois de quase 10 anos em produção e de mudanças não só no nome, mas também no escopo e no conteúdo do jogo, Victory Road foi finalmente lançado no mercado em novembro de 2025 e para quase todas as plataformas.
O jogo lançou carregado não só de um longo período de produção, mas também de uma grande expectativa de sua fanbase com as promessas feitas para ele. Além disso, a expansão de plataformas, para além dos consoles Nintendo, e todo o histórico que permeia o jogo fizeram, também, com que esse novo título furasse um pouco sua bolha, atingindo um público que até conhece a franquia, mas nunca tinha desbravado os jogos. Definição que até combina comigo, pois mesmo já tendo jogado em dois jogos da franquia, nunca me aprofundei neles de fato.
Com uma grande pressão nas costas de conseguir atingir as expectativas dos fãs e as da própria Level-5, pode-se dizer que Victory Road pegou a bola e colocou debaixo dos braços, como um craque faria para decidir aquele jogo importante. Já que o que temos aqui é um monstro (no bom sentido) de conteúdo e de amor à franquia, entregando um jogo incrível para se jogar por um bom tempo.
Um grande, senão o maior, destaque de Victory Road é a quantidade surreal de conteúdo. Existem dois grandes modos que, de maneira isolada, já valeriam um jogo próprio ou, se fossem lançados como DLC, seriam considerados uma grande expansão para o jogo. Temos o modo história, modo crônica, modo competição, estádio BB e a Estação Kizuna.
O modo história é onde temos o enredo original criado para esse jogo. O enredo se passa 25 anos após o jogo original de Inazuma Eleven e é focado na história de Unmei Sasanami, um garoto que, em busca do seu mundo sem futebol, acaba se matriculando no colégio Nagumohara, já que lá não tem um clube de futebol. Após alguns acontecimentos, ele e seus novos amigos acabam revivendo o clube do colégio, encarando seus problemas pessoais e indo disputar o campeonato de futebol, tentando vencer o grande Colégio Raimon, do prodígio Haru Endo.
Esse modo não tem medo de contar a sua história, dando o devido tempo para poder colocar todas as motivações do personagem à mostra e fazer a engrenagem do enredo girar. É tanto que o próprio jogo avisa que até você chutar uma bola vai demorar bem (e demora mesmo). Para os mais agoniados, isso pode ser um ponto negativo e que vai acabar afastando, mas é necessário para poder criar toda a história que quer contar sem pressa.
O ponto positivo é que esse ritmo mais lento é recompensador, pois a história é contada com várias cutscenes animadas, pelo estúdio MAPPA, como se fossem um anime mesmo, e quando não é assim, os diálogos todos são muito bem feitos no gráfico do jogo e com voz. Também não é como se apenas o jogador assistisse a diálogos infinitos no início, já que contamos com muita exploração pelo belo mapa do local e com embates verbais bem criativos, num estilo de pedra, papel e tesoura.
Quando a história “embala”, por assim dizer, temos também várias partidas, muito treinamento a fazer com os jogadores também, com vários minigames diferentes para treinar atributos diferentes. Realmente é um modo bem recheado e passa a sensação de estar jogando um JRPG de futebol.
O modo crônica é outro absurdo, sendo um modo que conta a história de todos os animes (dos jogos também tecnicamente) da série, inclusive o Ares e Orion que acabaram não ganhando um jogo próprio. É um modo mais simples que a história por contar apenas com um grande mapa parecendo um tabuleiro onde vamos de uma partida a outra.
Só que não saímos apenas jogando as partidas a torto e a direito, aqui a gente tem uma lore que justifique estarmos revisitando os pontos anteriores da franquia. Nesse modo, o protagonista é Victorio Cryptix, que vem de um futuro que está prestes a ser dizimado por seres superiores e, então, para poder criar o laço definitivo para derrotar a ameaça de seu mundo, ele viaja pela história de Inazuma Eleven para escolher as 11 pessoas lendárias.
É um detalhe bacana que incrementa algo que já teria muito conteúdo por si só, e aqui também temos as animações em anime do MAPPA para contar alguns trechos. A história das partidas que vivenciamos em si é um diálogo mais tradicional com o gráfico do jogo, mas bem feito também. Do crônica também tiramos um grind grande para farmar jogadores para todos os modos, ainda mais que cada partida pode ser jogada em diferentes níveis de dificuldade, que darão diferentes recompensas. É um modo com bastante tempo para se gastar nele.
O modo competitivo já é a famosa partida online onde você pode jogar de maneira casual ou ranqueada contra outras pessoas, usando os times que você montar. Por ser um RPG, aqui tem um gap da pessoa que joga de vez em quando e do cara que está farmando os jogadores, níveis e itens, criando super times. Funciona bem, apesar de ter esses momentos de bastante desequilíbrio, e também cross-play, o que é muito bem-vindo. O estádio BB é a versão offline disso, onde podemos jogar contra a máquina com o time que montamos ou os times prontos do decorrer da história.
A Estação Kizuna é um local em que você pode montar um trecho da cidade, decorando da maneira que você preferir e preenchendo com os personagens que você for liberando à medida que vai jogando. Também é possível que você visite o local de amigos e eles visitem o seu. É algo mais social e bem secundário, mas um extra legal.
Bem, eu não sou o maior especialista na jogabilidade da franquia, só tendo jogado um pouco do primeiro jogo para Nintendo DS e de algum Inazuma Eleven Strikers para Wii. O que senti jogando esse jogo é que ele transcreve bem os embates e escolhas rápidas dos outros jogos que joguei para os controles modernos.
Cada trecho do campo tem embates pela bola com escolhas de ações para tomar, como usar um bote/drible simples ou usar alguma técnica especial. São embates que ficam em destaque quando acontecem e não quebram tanto assim o ritmo do jogo, pois você tem que tomar a decisão rapidamente. Fora isso, temos uma corrida normal, uma já usando o corpo para tentar “atropelar” o que estiver na frente e um passe rasteiro ou por cima. Defendendo, podemos dar carrinho e roubar a bola fora dos embates.
Um grande destaque é o modo Área, que a gente ativa quando está perto do gol, mudando para uma câmera nas costas do personagem e diminuindo a velocidade dos movimentos. É aqui que vamos chutar no gol, seja normal ou com alguma técnica, fazer um passe/cruzamento ou um “combo” de técnicas ou chutes. Esse modo é ativado também na defesa, onde podemos posicionar jogadores para tentar bloquear chutes e também onde controlamos o goleiro.
Acho que o jogo alcançou um bom equilíbrio para que possamos ter a experiência RPG de Inazuma Eleven, mas também algo num ritmo bom para uma partida de futebol. E falando na parte RPG, aqui é o clássico da franquia com as barras de poder em cada chute/defesa para definir que lado vai se dar bem. Tem a importância também das estatísticas dos jogadores e seu desempenho em cada posição, além dos clássicos itens que podemos equipar para aumentar os status.
Num estilo de jogo desses, então, é claro que o nível que você alcança (a raridade também), junto com os itens que você usa, além de bônus que são ativados por ter x jogadores juntos e coisas do tipo, vão influenciar diretamente quem tem mais ou menos chances de ganhar. Só que os status de forma pura não te vão ganhar automaticamente (só ajudar bastante), porque tem um certo nível de habilidade que influencia aqui também. Você realizar uma ação certa no momento certo pode te fazer superar um adversário com mais status que você.
Como dito, os jogadores têm níveis e aqui raridade, pois aqui tem um certo sistema de gacha envolvido, que vamos ter que passar enquanto jogamos e torcemos para pegar raridades altas de almas dos jogadores. Então tem bastante farm envolvido para quem busca ter o melhor dos jogadores e times. Isso, ao mesmo tempo, ajuda a prolongar o conteúdo, só que também pode afastar quem não está querendo se prender tanto a isso. Por sorte, tem bastante modo para todos se divertirem, sejam quem quer farmar mais ou menos.
O jogo tem também uma vibe de serviço em algumas coisas, como novas rotas chegando ao modo crônica, o Modo História+ sendo liberado só depois e alguns eventos online e bônus de itens sendo distribuídos aos jogadores por login ou código. Não necessariamente é ruim, mas causa alguns momentos de “poxa, tenho que logar ali no momento x para poder ganhar algo bom para usar no time”, o que pode ser ruim para quem não tem todo esse tempo.
Inazuma Eleven: Victory Road é daqueles jogos que fazem você pensar que toda a espera e os adiamentos realmente valeram a pena. Com uma quantidade absurda de conteúdo bem feito e com recheio, uma gameplay que equilibra bem futebol e RPG e qualidades de vida como Cross-play e Cross-Progression, o jogo é um grande acerto da Level-5 e com certeza traz ótimos holofotes para a empresa e para a franquia.
Resta que a Level-5 agora mantenha seu ritmo de atualização e conteúdo para o jogo, para que os jogadores possam continuar usufruindo até que chegue um novo jogo da franquia eventualmente. Sei que o remake do primeiro jogo está anunciado para este ano de 2026, mas dado o histórico da empresa, um adiamento é muito provável. Só sei que, independentemente do tempo de espera, esse remake, ou uma próxima sequência, ganhou o mérito de se esperar algo bom vindo aí. Que eles não deixem a bola cair.
Inazuma Eleven Victory Road
Level-5
PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2