Crítica: Octopath Traveler 0 – O mais próximo do ideal

Por Jean Kei

Nota: 9

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Em minha preview de Octopath Traveler 0, começo citando minha relação com a série, também falo como ele é um jogo que toma caminhos diferentes dos principais dela e é algo meio único. Após mais de 100 horas de jogo, passei a enxergar Octopath Traveler 0 como o mais próximo do ideal que essa franquia pode alcançar.

A premissa que Octopath Traveler vende é que você acompanhará 8 jornadas distintas que serão interligadas. No primeiro jogo, me deparei com um produto desconjuntado que se remenda no fim; no segundo jogo, me deparei com um jogo menos desengonçado que, mesmo sendo imperfeito, ligava as histórias de maneira mais natural ao longo do jogo antes do clímax final. Já com Octopath 0, ao invés de criar 8 protagonistas, faz apenas um e inverte a estrutura dessas 8 jornadas, e o foco de cada história está nos vilões. De alguma forma, essa mudança na estrutura fez com que o Octopath Traveler 0 seja o mais consistente da franquia.

No jogo mais recente, você ainda vai ter histórias que se fecham em si e com tons distintos, mas com um único protagonista acompanhando tudo, a sensação de jornada fica mais forte e o jogo não soa desconjuntado.

E qual é dessas histórias e como elas se juntam?

Você cria um protagonista que vive numa pequena cidade chamada Wishvale, a qual é dizimada por três figuras poderosas que estavam atrás de um anel mágico que residia na cidade. Após sobreviver ao massacre, você e Stia, sua amiga de infância que fugiu com você, decidem reconstruir a cidade.

Você sabe que, mesmo no processo de reconstrução, Wishvale nunca estará verdadeiramente segura enquanto quem destruiu a cidade antes estiver no poder, então você busca derrotar essas 3 figuras tiranas enquanto reconstrói a vila.

O jogo então apresenta 4 quests principais, uma para cada vilão e uma focada na história de reconstrução da cidade. Tal qual os jogos anteriores, você não precisa terminar uma quest de cada. O jogo incentiva você a alternar suas missões e explorar o mundo. Cada vilão possui um anel divino e, ao derrotá-los, você toma o anel para si. Ao ter todos os anéis, eventos na história acontecem nos quais surge um quarto vilão maior. Derrotando este quarto vilão, o jogo começa a avançar mais e mais e chega a um vilão ainda maior, começando o clímax final dessa história.

Basicamente, o jogo te entrega 8 histórias com 8 vilões que possuem tons bem próprios e são arcos que podem fechar em si. A trama dos anéis divinos é a ligação maior entre as histórias, mas há outras conexões entre os vilões menos claras sendo jogadas ao longo da aventura, e os quatro arcos finais são continuações diretas dos anteriores, fazendo com que as ligações sejam bem claras.

Um híbrido entre original e uma versão nova do jogo mobile

Desses arcos, pelo que pesquisei, apenas o da reconstrução de Wishvale é totalmente original, sendo as histórias envolvendo os oito vilões vindas diretamente do jogo mobile Octopath Traveler: Champions of Continent. Não joguei Champions of Continent, eu não sei dizer o quão diferente as histórias são, mas gostei bastante do que vi aqui. O jogo também conta com diversas sidequests originais e, pelo que apurei, a maior parte dos membros da party recrutáveis também são originais. A impressão que ficou em mim é que Octopath Traveler 0 pega quase todo o conteúdo principal do gacha e insere no jogo offline de forma recontextualizada.

Cada personagem jogável tem sidequests atreladas a ele, de tamanho e qualidade variados, mas considerando que são mais de 30 personagens e pelo que vi pelo menos 16 são originais de Octopath 0, de fato uma quantidade grande do conteúdo desse jogo é original.

E são bons conteúdos

Como são várias histórias principais com tons um tanto distintos, teve algumas que achei bem melhores que outras, mas não desgostei de nenhuma. Além da temática dos anéis, todos os arcos abordam o tema principal do jogo, que é ganância e desejo, e o questionamento de se estas características são intrínsecas ao ser humano ou não. A maioria das histórias é simples e com vilões maniqueístas a princípio (alguns até de forma cômica), mas é bem executado e achei charmoso.

Tem arco teatral, arco que é um épico de guerra, arco de máfia etc. Todos relativamente curtos, mas que ao todo me custaram mais de 100 horas de jogo, nas quais só fiquei cansado na final. Num geral, eu raramente me sentia cansado com o jogo pela diversidade de narrativa que ele tem.

Claro, uma das consequências da estrutura desse jogo é que metade dos personagens jogáveis são desinteressantes. Mas vou ser sincero e dizer que ter gostado de quase metade do elenco, seja pelo design maneiro ou quests interessantes, me surpreendeu. Há membros que estão diretamente atrelados às histórias principais, e esses são os mais interessantes e bem trabalhados. Dito isso, tem alguns cuja pouca história que têm me cativou a ponto de querer histórias com foco neles.

E dou destaque na narrativa da reconstrução de Wishvale, que é uma história simples, mas muito bem contada sobre comunidade, e com momentos genuinamente bonitos.

Gameplay em seu melhor

O combate de Octopath Traveler sempre foi um dos pontos mais altos da série e no 0 isso se mantém. Agora, você entra na batalha com oito personagens e o jogo, especialmente na reta final, se permite ter chefes mais desafiadores como consequência.

A cada turno, seu personagem ganha um Brave Point, que pode ser utilizado para potencializar uma skill ou atacar mais de uma vez. Você pode acumular até 5 brave points e gastar até 3 de uma vez. Cada inimigo tem uma série de pontos fracos, e ao acertar um ponto fraco, você diminui um ponto de escudo dele. Geralmente, a dinâmica envolve quebrar o escudo do inimigo e ir com tudo. 

Especialmente em batalhas em que entrei com nível abaixo do recomendado, tive lutas intensas e divertidas envolvendo pressão pra achar logo a fraqueza e compor um time que conseguia atacar com consistência, dar buff e debuff com frequência e curar. No jogo você luta com quatro personagens a frente e quatro atrás, quem está atrás recupera HP e SPtodo turno e saber posicionar e alternar nos momentos certos é crucial, pois o jogo, especialmente no endgame, não tem medo de dar hitkill.

No fim, se tornou meu Octopath Traveler favorito

Apesar de sentir falta do sistema de dia e noite e da criatividade de quests de Octopath Traveler 2, o que o 0 entrega de positivo me faz acabar preferindo o título mais recente.

Octopath Traveler 0 é o jogo mais consistente da franquia, com histórias que, mesmo fechadas em si, conversam bem entre elas e com batalhas bem equilibradas e divertidas. E sinceramente, gostaria que mais franquias fizessem esse tipo de derivado offline de jogos mobile gacha.

 
 

 

 

Nome do jogo:

Octopath Traveler 0

Publisher:

Square Enix

Desenvolvedora:

Square Enix

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2

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