Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Once Upon a Katamari é, com exceção de remasters e spin-offs, o sétimo jogo da franquia Katamari. O anúncio deste jogo me deixou um misto de sensações. Parte de mim estava empolgada para ver um novo título da série após 14 anos, outra parte dizia “Para quê?”.
Veja bem, gosto muito da franquia e falava brincando que um console que se preze tem pelo menos um Katamari jogável nele, mas não é como se cada jogo novo trouxesse algo super novo. Num mundo em que temos remasters dos dois primeiros jogos acessíveis, será que um título novo traria coisas novas o suficiente para justificar sua própria existência?
A resposta curta é sim, mas a longa tem alguns poréns.
Katamari é uma franquia criada por Keita Takahashi lá para 2004 com um humor muito peculiar e um teor crítico ao consumismo. Você controla o príncipe de todos os cosmos, filho do Rei de todos os Cosmos. Sua missão é consertar a bagunça que seu pai fez pegando coisas na terra com uma bola chamada Katamari. Tudo que for menor que o Katamari que encostar nele, gruda e passa a fazer parte da bola, assim, seu objetivo primariamente é rolar o suficiente para criar um Katamari muito grande e transformá-lo em estrelas.
O segundo jogo, We Love Katamari tem a mesma estrutura, mas acrescenta fases com gimmicks e tem todo um texto fazendo chacota da existência de uma sequência de um jogo que já era fechado em si. O que torna curiosa a existência de mais cinco continuações ao longo dos anos.
Todos os jogos são marcados por uma trilha sonora icônica que varia entre músicas cômicas e músicas genuinamente melancólicas. Pessoalmente, me pega muito ter descoberto o termo Mono no Aware quando adolescente, procurando letra de músicas de Katamari Damacy.
Katamari sempre foi um jogo que equilibra muito bem o bobo absurdo com o inteligente e profundo, mas sinto que a cada novo título a franquia fica um tanto mais repetitiva e mais focada no humor bobão por consequência.
À primeira vista, pode parecer que sim, mas os jogos, principalmente do segundo para frente, possuem coisas diversas que brincam com a gimmick.
Há fases que exigem que você role em itens específicos, há fases em que, pela disposição de itens e pessoas, você tem que rolar de forma inteligente nos lugares para otimizar seu tempo, dentre outras gimmicks, e como os jogos costumam ser curtos, dificilmente fica cansativo.
Sendo sincero, joguei esse jogo preparado para achar meio qualquer coisa, mas terminou sendo um dos meus jogos favoritos da franquia. Por um lado, ele tem pouca coisa realmente nova, ele usa ideias de outros jogos nas fases novas e parece uma amalgama de tudo, um “Best of Katamari”. Por outro lado, eu gostei do level design das fases e sinto que as gimmicks que trouxeram de volta foram contextualizadas de uma forma criativa e legal.
Há uma fase em que você está numa corrida, então seu Katamari nunca para, há outra em que o cenário está totalmente escuro e você só vê mais da área pegando espíritos (foguinho azul). Tem uma fase em que você está num banquete do castelo Edo e seu objetivo é fazer o príncipe caber numa armadura gigante para se provar um guerreiro másculo e poderoso e a solução para isso é usá-lo de Katamari e rolar nas comidas do banquete para ele ficar grandão para a armadura; é borderline piada gordofóbica, mas todo o contexto é tão bobão que só achei engraçadinho.
O jogo é sobre viagem no tempo, onde você irá para diversas eras e lugares, como Japão Feudal, período Jurássico, Grécia antiga etc. As músicas do jogo tentam combinar com a temática do lugar que você está, gerando algumas músicas muito legais, mas algumas um pouco genéricas. No fim, a trilha tem um saldo bem positivo para mim, em questão de músicas, esse aqui deve ser meu terceiro Katamari favorito.
Terminei o jogo com umas dez horas e planejo jogar mais. Katamari geralmente é super curtinho e esse aqui é um dos mais longos, mas não me senti cansado justamente porque ele está sempre botando alguma coisinha diferente, seja nos cenários variados ou nas fases com gimmicks diferenciadas, que não são tantas assim mas bem localizadas a ponto de você nunca sentir que o jogo está repetitivo demais.
Once Upon a Katamari definitivamente é uma adição bem-vinda à franquia. Mecanicamente, é uma amalgama do melhor da franquia, mas contextualizado de uma forma interessante.
Once Upon a Katamari
Bandai Namco
RENGAME
PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch