Crítica: PARANORMASIGHT: The Mermaid’s Curse

Por Pedro Ladino

Nota: 10

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

PARANORMASIGHT: The Seven Mysteries of Honjo foi uma das grandes surpresas de 2023, me pegou completamente desprevenido na época e criou uma grande impressão em mim. 

O jogo foi um sucesso de crítica, com direito a prêmios de veículos japoneses, mas certamente uma sequência não parecia ser algo que iria acontecer, ainda mais após as subsequentes reestruturações dentro da Square Enix. Porém, para a minha surpresa, a Square fez meu dia quando anunciou PARANORMASIGHT: The Mermaid’s Curse no último Nintendo Direct.

Eu pessoalmente já estaria completamente realizado apenas pela existência desse jogo, mas não apenas recebi algo primoroso, como um dos melhores jogos do ano.

A história sai do ambiente urbano e agora estamos na remota ilha de Kameshima, um local recheado de lendas, sendo as sobre sereias as principais delas.

Logo nas primeiras horas de jogo, eu já estava gostando muito mais do que do jogo anterior, algo que eu não estava esperando, para ser sincero. A história é muito mais interessante e intrigante e isso se deve ao quão melhores e naturais são os diálogos. Além das ainda mais expressivas artes do Gen Kobayashi.

Tal como Seven Mysteries of Honjo, a imersão é grande parte da experiência do jogo. Nós saímos de uma cidade quase sempre noturna, para uma ilha mais viva e a trilha sonora de Hidenori Iwasaki é novamente espetacular, com o uso de instrumentos com uma vibe mais ancestral que remetem ao folclore de Kameshima.

O jogo é relativamente mais longo que o primeiro, mas a duração vai depender de quanto tempo você demora para desvendar alguns dos puzzles. Falando nisso, esse jogo faz um trabalho muito melhor nos textos dos arquivos, fazendo com que a compreensão dos mesmos seja mais efetiva. Isso era algo que me incomodava bastante em Honjo.

Existem alguns puzzles mais fora da caixinha, que mesmo que a sua linha de raciocínio esteja correta, você tem que fazer da maneira certa, algo que, admito, me tomou muito tempo. Você sempre parece estar passos à frente do roteiro e, do nada, tem uma virada, e é uma das melhores sensações que se pode ter com a arte em formato de videogame.

A ausência de uma gimmick como as maldições fez o jogo fluir mais naturalmente, e o ritmo não incomoda em nenhum momento, pois tem sempre alguma coisa interessante ocorrendo.

…e grande elenco

Não que os personagens do primeiro jogo sejam ruins, mas grande parte deles era mais caricaturas e estereótipos do gênero do que necessariamente pessoas em si. Talvez seja por isso que personagens como Tetsuo Tsutsumi e Harue Shigima sejam os mais lembrados do elenco, pois tinham mais personalidades e algo além de apenas um boneco. Especialmente a Harue, com a sua carga dramática e personalidade que destoava do restante do elenco.

E acredito que esse tenha sido um dos principais focos de Takanari Ishiyama ao escrever Mermaid’s Curse, pois é uma das primeiras coisas que você percebe ao iniciar o jogo, do quão mais humanos são esses novos personagens.

Isso faz com que todos os finais do jogo tenham um grande impacto, sem parecer baratos ou obrigatórios. Eu realmente adoro todos esses personagens. 

O jogador acompanha a história de quatro personagens: 

  • Yuza Minakuchi, um jovem que acaba de retornar à ilha e trabalha como um ama diver. Após encontrar uma versão de si mesmo no fundo do mar, uma série de maldições começa a ocorrer em Kameshima.
  • Sato Shiranami, uma garota sem memórias e de origem desconhecida.
  • Arnav Barnum, um escritor e caçador de tesouros.
  • Yumeko Kishi, uma dona de casa que investiga uma morte por afogamento.

O mesmo efeito que Harue causou na obra anterior está presente em cada um desses quatro personagens, você rapidamente compra suas ideias e objetivos, o que faz com que a história conecte rapidamente com o jogador.

O restante do elenco e os moradores da ilha são bastante carismáticos também, e é um dos grandes acertos do jogo. A relação entre personagens e como eles interagem ao decorrer do jogo é algo tão forte que qualquer coisa que eu possa falar irá comprometer.

Como já esperado, nós temos um story chart, onde todos os personagens vão interagir ao decorrer da história. Paranormasight não está aqui para reinventar o gênero de Adventure, então o gameplay é basicamente interagir com os cenários e falar com os personagens. Conforme você avança, novos eventos, aqui chamados de Recollections, ficaram disponíveis quando obtidos, para completar a história.

Para esse novo jogo, nós temos um minigame de mergulho, onde Yuza coleta objetos marítimos, com direito a níveis e um sistema de pontos, que chega a ser importante na história.

Possivelmente porque eu escolhi no começo que já havia jogado o primeiro jogo, a história não perde tempo explicando algumas das coisas do mundo do jogo, como as Maldições. Ao mesmo tempo, ele não da nenhum spoiler da história do título anterior, então você pode começar por esse sem receio de ter sua experiência estragada.

PARANORMASIGHT: The Mermaid’s Curse é o 10 mais fácil que eu já dei na vida. Imersivo, impactante e emocionante, a nova obra de Takanari Ishiyama é uma das melhores experiências que você terá esse ano e estou extremamente agradecido que a Square Enix continue dando oportunidade para jogos de menor escopo.

Nome do jogo:

PARANORMASIGHT: The Mermaid’s Curse

Publisher:

Square Enix

Desenvolvedora:

xeen inc.

Plataformas Disponíveis:

PC, Nintendo Switch, Mobile

Conheça a Nuuvem

Compre com a Nuuvem e ajude o Game Lodge!