Crítica: Shantae Advance: Risky Revolution – resgatando o passado

Por Jean Kei

Nota: 8

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Shantae Adavance: Risky Revolution teoricamente era para ser o segundo jogo da franquia, mas acabou sendo o sexto e mais recente. Acontece que no começo dos anos 2000, a Wayfoward estava desenvolvendo um Shantae novo para o Game Boy Advance, mas quando o jogo estava cerca de 70% completo, foi cancelado devido à falta de uma publicadora. Anos depois, a Wayfoward leva a franquia para frente no Nintendo DSi, ganhando um público cativo e a série cresceu e está em todas as plataformas modernas.

Quase vinte anos depois, a Wayfoward faz parceria com a Limited Run Games para retomar aquele projeto cancelado e lançar para o GBA em cartucho alguns meses atrás. Agora, o jogo recebe um port para plataformas modernas e com retoques modernos.

Entre o passado e o presente

O jogo que seria lançado em 2004 não é esse e nem teria como ser. Mesmo que mais da metade tenha sido feita, os desenvolvedores se tornaram outras pessoas após 20 anos. A série Shantae não é o mesmo que era em 2004.

Shantae Advance é um produto curioso. Ao mesmo tempo que ele é escrito para ser uma sequência do primeiro e tenha boa parte dele um design análogo àquela época, ele tem coisas que gritam modernidade a todo canto. Alguns aspectos, você percebe que foram feitos depois do que tinha sido construído em 2004, como parte de cenários. O jogo também faz algumas referências a jogos futuros. É curioso ver um produto que boa parte dele é um resgate histórico, mas sua outra metade é algo novo.

Na versão para plataformas modernas, isso fica mais gritante, pois o jogo tem opção do modo “clássico” que é um port direto da versão de GBA e uma versão moderna que muda a HUD e o retrato dos personagens. Acabei jogando no modo clássico, porque a inconsistência de HUD e personagens em HD junto dos sprites de GBA me incomodaram um pouco.

Não sei se consigo expressar bem meu incômodo com a versão moderna, que é bonita, mas é discrepante, e também não sei o quão bem uma imagem estática demonstra bem.

De toda forma, o produto que temos aqui é bem legal

A parte que mais importa é que, no fim das contas, Shantae Advance é um jogo bom. 

Shantae, a meia-gênia guardiã de Scuttle Town e seus amigos descobrem que a pirata Risky está executando um plano mirabolante. Risky encontrou uma maneira de mover placas tectônicas e mover as ilhas de lugares, e nesse plano absurdo e mirabolante, ela move as ilhas de forma estratégica para facilitar saqueamento. Cabe a Shantae e sua trupe descobrirem como acabar com a farra da pirata, explorando várias ilhas que estão com cenários embaralhados.

O loop de gameplay se resume em explorar lugares com biomas trocados de maneiras diversas e ir pegando novas habilidades. Shantae é um jogo de plataforma que se assemelha a jogos como Demon’s Crest e talvez um pouco com Castlevania 2 Simon’s Quest. Numa olhada muito superficial, você até pode chamar o jogo de Metroidvania, mas a forma de exploração é um tanto diferente.

Você tem diversos mapas separados com exploração contida em si para terminar o jogo, mas caso queira pegar todos os itens, você voltará constantemente com novas habilidades, podendo alcançar novos lugares ou resolvendo pequenos quebra-cabeças. É um jogo curto e gostosinho, no qual, na primeira jogada, fiz 92% em 7 horas, e provavelmente numa segunda jogada conseguiria terminar em bem menos tempo.

Habilidades em formas de animais

O método no qual você ganha habilidades é o mesmo de quase todos os outros jogos da série: Shantae pode se transformar em animais dançando. Aqui você tem um botão para dançar, e ao dançar e apertar um botão específico, você se transforma num animal.

Por exemplo: para andar em águas profundas, Shantae se torna um caranguejo, já para escalar paredes, ela se torna um macaquinho. Ao longo do jogo, você ganha a habilidade de seis criaturas, e o ato de explorar cada vez mais com as novas habilidades é bem satisfatório.

Bom humor

Uma das maiores características da série é o quanto ela é um humor meio pastelão, às vezes muito bobo, às vezes muito ácido. O jogo tem um texto divertido que me tirou risadinhas, e em uma cena específica me fez rir alto. Esse humor bobão funciona bem porque o mundo e os personagens são bem carismáticos. Shantae é uma personagem divertida e o jogo faz questão de botar carisma em tudo nela. Ela é carismática no movimento e as animações das dancinhas são adoráveis. O jogo não é particularmente difícil e funciona como um joguinho de conforto para revisitar num dia descompromissado.

As duas únicas coisas que me quebram é que a falta de um mini mapa pode te confundir às vezes na exploração e as lutas contra chefes serem mais longas do que deveriam. A maioria dos chefes foi fácil, mas saía um pouco cansado da luta devido a padrões repetitivos.

Enfim, Shantae Advance foi um bom resgate

Fico feliz com a existência desse jogo. Ele, ao mesmo tempo que é um resgate do passado, é algo novo. É uma obra concebida de forma bem única e é um jogo especial.

Nome do jogo:

Shantae Advance: Risky Revolution

Publisher:

WayForward

Desenvolvedora:

WayForward, Limited Run Games

Plataformas Disponíveis:

PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2

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