Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Shinobi é uma franquia da Sega dos anos 80 muito consagrada, especialmente seus títulos de Mega Drive. A série chegou a ter alguns jogos no século XXI, como o Shinobi de Playstation 2 e Shinobi 3D de 3DS (que não cheguei a jogar), mas até onde eu sei, são títulos um tanto obscuros que não fizeram muito pela franquia. Agora em 2025, Shinobi ressurge coincidentemente perto da revitalização de Ninja Gaiden com o título Shinobi: Art of Vengeance. Dito isso, ao contrário de Ninja Gaiden que resgatou muito dos jogos da década de 80, mas trouxe uma identidade própria ao mesmo tempo, Art of Vengeance se propõe a ser algo quase que completamente novo, se distanciando bastante dos jogos de Arcade e Mega Drive.
A história per se é um tanto simples: Joe Musashi, o protagonista, está vivendo em paz, treinando aprendizes e esperando um filho, até que a ENE Corp, uma empresa maligna, decide dominar o mundo e destruir todo o clã de Joe Musashi no processo, o que lhe faz buscar vingança. É um tanto cômico o jogo ter até bastante diálogo e o protagonista ser mudo, onde todos seus balões de fala são grunhidos, mas todo mundo ao redor dele reagir como uma fala comum. É como se Joe Musashi falasse um idioma que todos, exceto o jogador, entendessem.
Em quesito de jogabilidade, Art of Vengeance é um jogo muito bonito, mais preocupado em ser estiloso do que ser desafiador. Não que ele seja um passeio no parque, mas é um jogo bem leniente com erros e que espera que você jogue de maneira “estilosa”, combando e recompensando eliminar inimigos através de execução, e não do jeito mais eficiente quando necessário. Diria que meu maior desafio é conseguir intuitivamente deixar inimigos vivos para finalizar com execução, não sobreviver para continuar a fase. Claro, digo isso como um ponto positivo, porque esse Shinobi é um dos jogos mais bonitos do ano e é muito, mas muito estiloso.
Uma das coisas que me deixou com sentimentos mistos é a forma de progresso e exploração desse jogo. A princípio, Art of Vengeance é um jogo um tanto linear, mas você pode revisitar fases com habilidades novas para explorar áreas secretas, ganhar habilidades e itens extras e passar por sessões de plataforma desafiadoras.
O meu problema com essa abordagem é que demorou um pouco para me sentir bem recompensado com backtracking, já que algumas vezes repeti fases com uma habilidade para descobrir que precisava de mais outra para seguir completando. Como as fases não são conectadas, backtracking não é algo fluido como um metroidvania padrão.
Eu me diverti muito com Shinobi; Art of Vengeance, mas estaria mentindo se não dissesse que não me senti cansado em seus momentos finais. Os seus pontos altos brilham muito, é um jogo lindo, estiloso, com combate divertido. O maior ponto fraco desse jogo é não saber lidar com o tamanho dele, que acaba repetindo algumas fórmulas e cansa antes de terminar, especialmente se você jogar mirando em completar tudo. É bem possível que se eu fizesse uma run nesse jogo, indo mais direto ao ponto, terminaria mais feliz com o jogo.
Shinobi: Art of Vengeance
SEGA
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