Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Tales of é uma das minhas franquias de RPG favoritas mesmo com muitos altos e baixos. Os primeiros contatos que tive quando criança foram tão positivos que colocou 0s jogos em um lugar especial no meu coração. Tales of Eternia foi um desses, sendo o segundo jogo que joguei e se tornando meu 2D favorito na época.
Jogando a versão remasterizada, confirmo que Tales of Eternia é o meu jogo 2D favorito. Além disso, olhando para esse jogo duas décadas após seu lançamento original, notei que aqui se formou a base de muitos aspectos que vieram de jogos seguintes.
Tales of Eternia é o terceiro jogo da franquia de RPG de ação. O jogo traz o sistema Agressive Linear Motion Battle System, que como o nome sugere, adiciona uma versão mais agressiva do combate em relação aos dois primeiros jogos. Esse combate é em tempo real e em 2D, como os jogos anteriores, mas agora o jogo não pausa quando uma magia é lançada. Tales of Phantasia e Destiny eram RPGs de ação que em algumas lutas parecia se tornar um jogo de turnos, devido a tantas pausas que o jogo fazia com você (e o chefe) lançando magias uma atrás da outra, aqui, como tudo acontece em tempo real, você pode fazer combos com a magia dos aliados mas pode apanhar muito mais com combos de magia em contrapartida.
Tales of Eternia é um dos mais difíceis da franquia, no qual alguns chefes apresentam um pico de dificuldade no qual se você não souber se posicionar bem e nem como esquivar de certos golpes, a morte será rápida. Na versão remasterizada, você pode passar por cima desses picos de dificuldade aumentando a quantidade de XP ganha em até 4 vezes, te deixando rapidamente muito mais forte do que os chefes daquela área. Enfim, é um combate que às vezes irrita e não funciona tão bem, mas é bem recompensador
Além disso, o jogo tem diversos minigames de qualidade e dificuldade variada (quase tudo opcional). As dungeons são meio simples e possuem puzzles relativamente tranquilos. No aspecto de level design a franquia nunca foi muito de se destacar.
Apesar de simples, a narrativa de Tales of Eternia é bem legal. Uma história com um elenco enxuto de 3 amigos de infância e uma personagem que serve de ruptura do status quo.
A história se passa num mundo chamado Eternia, que possui dois planetas interligados: Celestia e Inferia. Ambos os planetas perderam contato por séculos depois de uma guerra. Em Inferia, criou-se uma narrativa preconceituosa com o povo de Celestia, no qual acreditam que Celestianos são seres selvagens, agressivos e culturalmente defasados.
O jogo começa com Meredy, uma garota Celestiana viajando para Inferia com o intuito de alertar sobre uma catástrofe iminente. A nave de Meredy cai na floresta do vilarejo que os protagonistas Reid e Farah vivem, ambos encontram a garota mas não entendem uma palavra do que ela diz, pois o idioma de Celestia é diferente. Farah tem a ideia de levar a garota para Keele, um outro amigo de infância que hoje é um acadêmico, pois com os conhecimentos dele talvez ele consiga decifrar o idioma de Meredy.
Os quatro personagens acabam se juntando, aprendem eventualmente a se comunicar e isso acaba levando o grupo a uma jornada para salvar tanto Celestia quanto Inferia.
O jogo, num geral, tem um tom leve e é cheio de momentos engraçadinhos, às vezes com um humor bem pastelão. O que não tira alguns momentos sérios, que são pontuais, mas eficazes.
Aliás, o jogo deixa muito claro que um de seus temas principais é racismo, tendo em vista que o marcador mais evidente dos Celestianos é a pele negra. Meredy também funciona como o personagem alienígena que questiona o status quo, perguntando ao grupo qual o sentido do sistema de monarquia de Inferia, por exemplo. Não tem muita coisa muito profunda, mas funciona bem, especialmente por causa dos personagens.
Na primeira versão ocidental de Tales of Eternia, o jogo não tinha Skits, pequenas esquetes com diálogos opcionais entre personagens. A versão remasterizada trouxe as skits de volta e, meu Deus, como elas enriquecem o jogo.
Com diálogos casuais entre personagens (e alguns que aprofundam comentários em relação ao que está ocorrendo no jogo), os personagens são mais humanizados. Existe um romance entre personagens do grupo que, sem as skits, parece algo meio abrupto, mas ao longo do jogo há diversas skits nas quais você vê um tratamento aos poucos se tornando algo mais carinhoso e com admiração. Também é possível entender melhor a personalidade de cada membro do grupo devido às skits.
Há um personagem com uma participação bem breve na história, apenas em alguns pontos-chave. Com o contexto das skits, é mais notável que este personagem foi importante e deixou uma marca para alguns membros do grupo.
Além dos quatro personagens, há dois personagens na história que entram para sua equipe de maneira opcional. Os personagens opcionais têm pouca personalidade e, sem as skits, essa pouca personalidade beira a nenhuma (especialmente para um deles em particular).
A dinâmica dos quatro personagens é realmente o ponto mais forte do jogo. Todos os quatro personagens parecem um arquétipo clichê, mas quando se olha mais de perto, apresentam uma camada a mais.
Farah é uma personagem altruísta e que trata tudo com muita leveza a princípio, mas deixa escapar uma certa melancolia em alguns momentos. O jogo, especialmente perto do terço final, tem alguns diálogos genuinamente muito bonitos.
Tales of Eternia é um jogo originalmente de Playstation 1 e dá para ver aonde ele ficou datado, como algumas questões de movimentação e o balanço de dificuldade em certas partes. Dito isso, é um jogo com uma história simples que é muito bem carregada por personagens cativantes e um combate que, mesmo com seus probleminhas, é bem divertido.
É um dos meus Tales of favoritos, e fiquei muito feliz de poder revisitar este jogo.
Tales of Eternia Remastered
Bandai Namco
TOSE
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