Crítica – Utawarerumono: Past and Present Rediscovered

Por Pedro Ladino

Nota: 8.5

Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge

Não é sempre que você consegue convencer seu público ao retomar uma franquia que já teve seu fim. Utawarerumono é um desses casos. Já tivemos a trilogia de visual novels com uma história completamente fechada. Entre spin-offs e adaptações para anime aqui e acolá, incluindo um gacha, a série estava quietinha em seu canto.

Mas em 2022, a AQUAPLUS veio com Monochrome Mobius: Rights and Wrongs Forgotten, um jogo que servia como uma prequel para os segundo e terceiro jogos, contando a história de Oshtor, um dos personagens mais queridos daquele universo.

Foi uma abordagem bastante diferente da trilogia em vários aspectos, seja pela falta de Utawarerumono no título ou pela mudança de gênero, em que saímos de um RPG tático híbrido de visual novel para um JRPG 3D com batalha em turnos e um mundo semiaberto.

O resultado é um jogo, em minha opinião, bom, mas cheio de problemas aqui e ali. Quanto ao roteiro, grande parte dele é bastante autorreferencial à franquia, com umas piscadelas, impossibilitando para aqueles que nunca jogaram antes entender, e então temos a cena pós-créditos e essa nova iniciativa parecia ser mais do que apenas um caça-níquel.

No final de 2024, a AQUAPLUS enfim anunciou a sequência, e para a surpresa de todos, o nome Utawarerumono estava de volta ao título. Por quase um ano, o jogo não teve novidades e foi adiado para 2026. Não só isso, mas a publicadora afirmou que o jogo não apenas serviria como a sequência de Monochrome Mobius, mas também encerraria a franquia na totalidade. Como prova, o gacha do jogo, Lost Frag, também teve seus serviços encerrados, com uma versão offline sendo anunciada logo depois.

Utawarerumono: Past and Present Rediscovered se situa logo após os acontecimentos de Monochrome Mobius e continua a história de Oshtor e Shunya. Shunya passou meses em coma e de repente acorda. Oshtor, agora como General Imperial de Yamato, continua seguindo ordens do Mikado.

O principal objetivo desse jogo é resolver toda a treta envolvendo Arva Shulan. Um plot que notoriamente foi encerrado bruscamente no último jogo. Em paralelo, temos algo acontecendo com Shunya. Qualquer um que já tenha jogado Utawarerumono sabe que essa personagem não existe nos jogos originais, então uma das maiores expectativas de Past and Present Rediscovered era sobre o destino da personagem.

Isso, somado ao fato de que o jogo prometia servir como a conclusão derradeira da franquia. Como eles iriam encaixar tudo isso? Aqueles mais atentos ao nome japonês do jogo anterior já tinham uma ideia do que poderia acontecer.

Mas antes de entrar a fundo nisso, eu queria comentar um pouco sobre o combate e a jogabilidade desse jogo.

As primeiras horas de gameplay são um tanto… bizarras? Parece que o jogo faz de tudo para você não jogá-lo. Vou explicar.

A mudança de sistema de combate em relação à trilogia é esquisita, mas eu não acho um completo desastre. Em Past and Present, o combate continua igual, mas é um pouco mais refinado. Contudo, o jogo agora tem um sistema de Conquista de Área, onde, após você matar um determinado número de inimigos, um mini-chefe irá aparecer. Ao derrotá-lo, nós podemos destruir qualquer inimigo do mapa sem entrar em batalha e ainda assim adquirir experiência e loot. É um sistema que se mantém pelo jogo inteiro.

Eu interpretei isso, junto ao fato da viagem rápida já estar liberada desde o começo, como se a AQUAPLUS quisesse focar mais nas novas áreas e, já que você passa uma boa parte do jogo em locais já explorados em Monochrome Mobius, eles reduziram consideravelmente o inchaço aqui.

Outras coisas que corroboram isso são que a segunda parte do jogo já começa a ter batalhas que demandam mais do combate, então essas áreas iniciais funcionam mais como tutorial, além de que demora umas 4 horas para de fato termos acesso a um gameplay de verdade.

No final do primeiro jogo, Oshtor e Mikazuchi já têm acesso às Akuruturuka, então já são muito poderosos. Aqui é criada uma desculpa para resetar os personagens e dar acesso a um novo poder em que podemos invocar a Forma Keshin quando entramos em estado de Overzeal e ter acesso a novas skills. Uma comparação direta seriam os Stands do anime JoJo’s Bizarre Adventure.

O restante do combate permanece basicamente o mesmo, sendo um pouco mais fluido. Gosto da nova lista de habilidades e da nova UI de combate, pois é mais fácil ler os turnos.

A progressão da história é o básico de Utawarerumono, com uma narrativa mais lenta com eventos de personagens aqui e ali, mas eu achei sinceramente o ritmo muito mais acelerado que o de costume, ele vai relativamente direto ao ponto, ainda que bastante parte desse tempo é dedicada a cutscenes e tenha BASTANTE cutscenes nesse jogo. Mais e mais se confirma que a série deveria ter se mantido como visual novel. Com sorte, o próximo jogo do Suga Munemitsu, chamado até o momento de Project Kizuna, seguirá os moldes da trilogia original.

Personagens como Mikazuchi e Munechika ganham bastante destaque em uma das melhores partes de toda a franquia, em um capítulo dedicado à família. Esses dois ficaram um pouco escanteados no primeiro jogo, após suas apresentações, então voltar para eles foi algo de que gostei bastante. Uma das partes que mais me causaram sentimentos mistos foi sobre a Shunya e seu relacionamento com Oshtor, pois é algo que parece forçado, e acaba se tornando um dos motivos para a progressão do jogo ocorrer, mas é mal executada. Momentos de personagens sempre foram um dos pontos fortes da série, e aqui não foi diferente.

Gosto como a história dá amor ao primeiro Utawarerumono, normalmente acabam só focando nos dois jogos posteriores. Tem uns lore drops que eu não estava esperando a essa altura do campeonato, mas foram bem-vindos.

O jogo não chega ao ápice que foi Mask of Truth e, por mais que tenham alguns momentos que me causaram sentimentos mistos, eu saí bem satisfeito no final. É aquilo, se for mexer em algo já fechado, que ao menos faça algo que não frustre ou desanime seu público. Eu não esperava que fosse ter algo novo desse universo além dos produtos derivados, mas no fim, eu gostei de ter voltado. Que a AQUAPLUS e Suga possam seguir em frente e nos entregar mais experiências e mundos inesquecíveis.

Por fim, excelente trilha sonora, como sempre. É triste que não tenhamos mais músicas do Michio Kinugasa, mas os dois novos compositores que entraram em Lost Frag e já estavam presentes em Monochrome Mobius, Hironori Mutoh e Huang Yanling, fazem um trabalho muito bom. Além dos outros veteranos na série, como Junya Matsuoka, continuam trazendo o som tradicional de Uta.

Utawarerumono é uma série que ficará para sempre no meu coração. Essa revisita ao mundo através de Monochrome Mobius e Past and Present Rediscovered acaba sendo esquisita, porém saio satisfeito. Obrigado e adeus, Utawarerumono.

Nome do jogo:

Utawarerumono: Past and Present Rediscovered

Publisher:

AQUAPLUS, Shiravune

Desenvolvedora:

AQUAPLUS

Plataformas Disponíveis:

PC

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