to a T é um jogo de Keita Takahashi, criador da série Katamari. O jogo é uma experiência narrativa que emula um programa de TV infantil matinal, tanto que a estrutura é separada por episódios, que contém abertura e encerramento. Aqui temos à história de uma criança que por alguma razão não consegue sair de uma “T Pose”, que no jogo é tratado como uma clara analogia a pessoas com deficiências. O jogo tem 8 episódios e é um “slice of life” no qual a criança com esta condição vive seu dia a dia, com toques de humor e elementos surreais bastante excêntricos.
A primeira vista, pode ser fácil achar que esse vai ser um jogo frustrante na linha de um Getting over it, o que NÃO é o caso aqui, principalmente pela temática do jogo. To a t fala sobre acessibilidade e diversidade de uma forma super lúdica e didática, e apesar de alguns desafios, a vida do protagonista é facilitada colocando coisas adaptadas ao redor de todo o jogo. A torneira que ele usa para lavar o rosto é adaptada, o cachorro dele o ajuda com certas tarefas manuais, ele usa uma colher comicamente grande para comer… Enfim, é um jogo que a todo momento bota alguns desafios, mas deixa claro que o protagonista pode viver a vida de forma tranquila.
Além de explorar a cidade, o jogo possui alguns mini-games para mudar um pouco o ritmo das coisas. É um jogo que é repetitivo, mas não chega a incomodar por sua curtíssima duração. Inclusive, recomendo que não jogue tudo de uma vez para não ficar cansado, mas sim um episódio por dia.
É um jogo gostosinho de jogar, com bastante humor e excentricidade que te conquista pelas pequenas coisas.
Um dos momentos mais legais do jogo é quando você faz novos amigos, anda de monociclo adaptado com seus amigos para o farol e assistem um por do sol (e choram de emoção de uma forma nada sutil).
O protagonista não tem gênero fixo e o texto evita ao máximo empregar gêneros, você tem opções de todo tipo de vestimenta e pode misturá-las. Misturei peças masculinas e femininas ao longo do jogo e o jogo incentiva isso. Para além de expressão de gênero, em diversas maneiras o jogo está o tempo todo falando “ta tudo bem se expressar da forma que você quer”, seja com roupas, cabelos ou hobbies. É uma história super positiva e até meio ingênua, mas genuína no que quer transmitir. Inclusive, faz parte do humor todos da cidade levarem com maior naturalidade coisas que poderiam ser taboo para alguns na nossa sociedade.
Enfim, dá muito fácil para dizer que o tema principal desse jogo é diversidade, e ele deixa muito claro que quer ser celebrativo com todos os tipos de pessoa, até de uma forma meio boba, mas legítima.
Joguei esse jogo despretensiosamente no Game Pass, foi curto, divertido, a princípio não entraria como uma das melhores coisas que já joguei nem nada, mas é um daqueles jogos que constantemente me pego pensando em algo dele.