Never 7 e Ever 17 – A quase boa olhada no legado de Uchikoshi Kotaro

Por Jean Kei

 Never 7 Ever 17 são dois jogos da série Infinity lançados em 2000 e 2002 respectivamente. São duas Visual Novels que ganharam mais notoriedade praticamente uma década depois devido a Uchikoshi Kotaro, um dos principais autores das obras, ter ficado mais conhecido no mundo graças à franquia Zero Escape. Geralmente, quando se fala desses jogos, apontam como o Uchikoshi pré-Zero Escape é um escritor que teve evoluções ao longo dos anos, mas muitas de suas ideias e conceitos já estavam lá. São obras interessantes de se ver pela curiosidade de conhecer o autor antes do trabalho mais famoso e ver “como ele chegou ali”, mas também são duas histórias que tem bastante valor por si próprias.

E sobre o que são esses dois jogos?

Never7 é a história em que você joga com Makoto, um universitário que está passando as férias num evento acadêmico em uma ilha. Você acompanha ele durante uma semana ali, convivendo e fazendo amizade com outros estudantes, até que no sexto dia algo ocorre.

É um pouco difícil falar de Never 7, sendo ele uma história bem baseada em mistérios e plot twists. É uma história que começa um tanto lenta e não tem pressa para começar a “entregar o ouro”. Em suas primeiras horas, ele tem uma estrutura bem parecida com a de um dating sim mais casual e simples, onde você conhece um grupo de personagens, com escolhas na convivência vai para a rota de uma e termina com ela, mas ele quebra essa estrutura e você vai entendendo do que de fato esse jogo se trata.

Já Ever 17 é imediatamente mais interessante

Dessa duologia, o Ever 17 é meu favorito. No jogo, você está visitando um mega parque aquático gigante e submerso no mar. O jogo se passa no ponto de vista de duas pessoas, Takeshi e um garoto com amnésia. Após um tempo, ocorre um acidente que deixa você e mais um grupo de pessoas presos no parque, e numa situação emergencial onde, devido à estrutura e localização do parque, o tempo de vocês ali é um tanto limitado.

Ever 17 tem bastantes momentos mais “casuais” entre os personagens e repetição, mas feita de uma maneira inteligente (ao menos na sua versão original) que lhe faz sentir bem a situação do grupo envolvido ali. Já de cara, pela temática de um grupo tentando escapar de um lugar e alguns conceitos de ficção científica, você traça paralelos com Nine Hours Nine Person Nine Doors, jogo posterior do autor.

Uma revisita ao passado meio fiel

A questão é que até o lançamento da coletânea dos dois jogos, não havia maneira fácil de acessar os jogos de forma oficial. Never 7 nunca tinha sido oficialmente traduzido antes e Ever 17 tinha como única versão oficial lançada no ocidente a de Playstation 2.

Bem, com os remasters essa questão está resolvida pela metade, porque a versão de Ever 17 é baseada num remake de Xbox 360 que tem alterações no roteiro.

Mas afinal, o que tem de tão diferente nessa versão de Ever17?

Essa versão de Ever 17 tem diferenças na estrutura e no roteiro que não passaram por Uchikoshi e por nenhum membro da equipe principal. Apesar da história ainda ser a mesma, ela está escrita de forma bem menos sútil e um pouco mais linear. Diversas reviravoltas na trama ficam mais óbvias nessa versão reescrita e a forma com que o jogo original apresenta perspectivas diferentes é feita de forma diferente também.

Toda a escrita original, um certo nível de sutileza (que nem era tanto assim) e sacadas perdem peso no roteiro novo. Ainda é um bom jogo no fim das contas, mas é claramente uma versão inferior à escrita original.

Felizmente, a arte não é baseada nos modelos 3D da versão de Xbox 360, mas no original. Ao menos uma vitória.

Mas Never 7 se mantém intacto

 Never 7 nunca teve um remake que alterasse drasticamente sua narrativa, apenas versões acrescentando coisas. Como consequência, o remaster dele é bem fiel. Somando as qualidades de vida, essa é a melhor versão para se jogar hoje em dia.

Um pacote que do jeito que está, é difícil recomendar

 É triste que o jogo que de longe mais gosto dos dois esteja numa versão “problemática”. Por mais que ainda tenha como aproveitar Ever 17 nessa versão, acho difícil recomendá-la. Ainda mais que, com o passar dos anos, fãs fizeram versões não oficiais com melhorias. Eu diria que, caso surja um patch ou um mod de fãs que resgate o roteiro e estrutura original, se torna um pacote bem mais interessante, mas, por enquanto, apenas metade do pacote vale mesmo. Dito isso, tomara que no futuro tenhamos remasters dos outros dois jogos da série.

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