Jogos de plataforma são pra mim uma das expressões mais puras do que é um videogame. Eu sempre penso em um jogo desse gênero para introduzir alguém nesse hobby. Em geral, eles são muito intuitivos e ensinam conceitos básicos sobre controle e movimentação, sendo muito desses conceitos utilizados em outros gêneros, inclusive.
E esse é um gênero que talvez seja um dos mais replicados e reimaginados em outros jogos. Desde jogos de plataforma “puros”, até outros que acabam utilizando seus conceitos, como jogos de aventura e até alguns RPGs.
The Eternal Life of Goldman promete transformar esse gênero. Eu particularmente sou cético com esse tipo de afirmação e pra ser sincero eu não acredito que todo jogo precise transformar a forma de se jogar um gênero, mas também concordo que isso é sempre bem-vindo.
Tive a oportunidade de jogar uma prévia do jogo, que estará disponível no próximo Steam Next Fest e conto minhas impressões nesses primeiros 90 minutos de jogo, mais ou menos.
A demo do jogo introduz um pouco do mundo onde ele é ambientado. Logo no início, percebemos que trata-se de um mundo fantástico, com monstros e seres fantasiosos. Notamos também que a história é narrada por terceiros, aparentemente uma mãe contando os feitos de Goldman para seu filho, que pelo que parece está hospitalizado.
O protagonista chega na primeira ilha onde um incêndio está ocorrendo bem no meio de um tradicional festival, o que causa mortes e pânico entre o povo desse lugar. Logo em seguida, seguimos para outra ilha e recebemos a missão principal.
Essa prévia do jogo além de nos introduzir ao começo da história, apresenta os movimentos e mecânicas básicas do jogo. Goldman pode saltar sobre seus inimigos com sua bengala, seu principal equipamento, que pode ser aprimorada com outras peças, o que altera a altura do pulo ou permite arrastar objetos, pelo menos até onde foi apresentado.
O jogo progressivamente e de forma intuitiva, vai nos ensinando suas mecânicas. Há sempre uma breve explicação de como pular, como puxar objetos, etc, mas estamos sempre aprendendo na prática.
Os segmentos do jogo começam simples e vão se tornando mais complexos e desafiadores conforme avançamos. Essa progressão de dificuldade evita frustrações e nos dá sensação de recompensa em cada desafio vencido.
Não tem muito mistério, principalmente para quem está familiarizado com jogos de plataforma. Alguns segmentos exigem precisão, outros paciência para encontrar o tempo certo para avançar e outros momentos avançar sem hesitar. Eventualmente as três coisas ao mesmo tempo.
Tudo funcionou perfeitamente até onde joguei, com um nível de dificuldade bastante satisfatório. Nem desafiador demais a ponto de frustrar e nem tão fácil demais. Ele é bastante satisfatório de jogar, mesmo com tão poucos recursos disponíveis na demo.
The Eternal Life of Goldman não esconde suas inspirações em histórias clássicas de aventura e fábulas. Isso é inclusive descrito por eles diversas vezes. O que diferencia o jogo de outras histórias é sua “dupla narrativa”.
Enquanto jogamos com Goldman, enquanto ele explora o Arquipélago, acompanhamos também a narradora da história. E já no começo a narradora deixa o jogo intrigante. Seus diálogos com a criança quebram o tom alegre que temos do jogo à primeira vista.
Aliás, o jogo já deixa claro desde o início que irá tocar em temas mais maduros. Não apenas por conta da narradora, mas em diálogos com os personagens e documentos encontrados.
Essa dinâmica de um narrador contando a história do jogo, e determinando como os fatos ocorreram, me lembrou Bastion da Supergiant Games, o que já me deixou desconfiado com a narradora. Quem jogou, sabe.
É bastante visível também o quanto ele se inspira em clássicos de aventura. Foi inevitável pra mim não lembrar de Duck Tales, tanto o desenho animado quanto os jogos. Indiana Jones também veio à mente, imediatamente. Mas o jogo logo tenta se distanciar dessas inspirações, puxando o lado mais maduro da narrativa. Inclusive na escolha do protagonista como um idoso, algo bastante incomum e que me deixou muito curioso sobre como a história dele irá se desenrolar.
O jogo impacta também por seus visuais. É bem notável o quanto ele é bonito visualmente, além de muito bem animado. A demonstração do jogo dá mais algum gostinho do trabalho artístico que foi feito no jogo. Tudo foi feito a mão, o que explica os 9 anos de desenvolvimento dele.
Vale destacar também o trabalho de som realizado. A trilha sonora até então traduz muito bem o clima de aventura do jogo. As composições contam com a participação de nomes como Kevin Penkin, premiado por seu trabalho no anime Made in Abyss, Yasunori Nishiki, responsável pela trilha sonora fantástica dos Octopath Traveler, entre outros.
The Eternal Life of Goldman é bastante promissor. A prévia do jogo apresenta muito bem a introdução de sua história, seus principais elementos, mecânicas, visuais e trilha sonora.
Ele me chamou muito a atenção quando foi apresentado pela primeira vez, mas a sensação de jogar é fundamental. E nesse ponto ele me agradou bastante também. Esse era um jogo que já estava no meu radar e certamente entrou para minha lista de mais aguardados do ano.
Como alguém que aprecia bastante narrativas em jogos, fiquei bastante curioso para saber onde a aventura de Goldman o levará. E para quem quiser conhecer o jogo, ele terá uma demo disponível dia 19/02 (amanhã) na Steam.