Esta crítica foi escrita usando uma key enviada para o Game Lodge
Quando escrevi a preview de Towa and the Guardians of the Sacred Tree, estava muito positivo com ele. Após um mês jogando o jogo completo, eu senti que ele não atendeu exatamente às minhas expectativas, mas saí satisfeito mesmo assim.
Tudo que disse no texto anterior sobre as mecânicas e premissa do jogo se mantém, então não irei repetir aqui para não soar redundante. Na verdade, vou me focar em explicar o que mudou na minha perspectiva do jogo com as primeiras horas na preview e com as vinte e poucas horas com o jogo completo.
Towa é um tanto repetitivo e simples. Os sistemas dele não evoluem mais do que foi visto no preview. Na verdade, o que acontece é que mais sistemas fora da cidade aparecem e com mais opções de upgrades permanentes. Ele acaba ficando mais “lite” em seu roguelite porque, de fato, em toda run eu tinha recurso para fazer alguma melhoria permanente nos personagens. O sistema de fazer espadas é uma constante no jogo, mas com o tempo parei de brincar de fazer espadas com designs estranhos, pois já estava repetitivo. O que não impediu o processo de criar espadas de ainda ser um tanto relaxante num geral.
Eu falei bastante do potencial peso que a mecânica de sacrifício tinha no jogo, mas a verdade é que, pouco tempo depois da parte que joguei na prévia, o jogo se revelou mais leve e inconsequente do que esperava. Não vou dar spoilers, mas é uma mecânica mais tranquila do que pode aparentar no início. Dito isso, acho justo que eles abrem o jogo logo nas primeiras 5 horas, ao invés de tentarem engajar ou fingir algo que não é de fato.
Eu não diria que o jogo é simplório, mas sim singelo. Ele acerta onde precisa acertar e, quando você joga aos poucos, num ritmo mais descompromissado, se torna uma aventura um tanto confortável. Provavelmente, se tivesse corrido com esse jogo para escrever no dia em que o embargo caiu, teria tido uma impressão bem mais negativa devido à repetição e simplicidade. Mas essa simplicidade é o que me pegou quando joguei poucas horas por dia, de pouquinho em pouquinho. Voltar ao vilarejo com frequência, ver com calma os eventos e conversas novas com os moradores e jogar uma ou duas fases de cada me fez apreciar o que tinha ali. Me peguei, após duas semanas, considerando os personagens daquele vilarejo como personagens queridos, que são simples, mas bem escritos num geral.
O que torna esse jogo especial é o vilarejo de Shinju. Você frequentemente terá cenas observando o cotidiano dos moradores. As interações variam entre o leve e engraçadinho até um drama pessoal mais elaborado.
Eu sinto que o jogo tem um tema principal e acaba pegando outro pela tangente. O tema principal do jogo é sobre “passar a tocha”. Muito do tema do jogo envolve legado, personagens que possuem aprendizes que vão crescer e assumir o manto, ou seguir seu próprio caminho, mas manter de alguma forma o que aprenderam com a geração passada. Tangencialmente, o jogo acaba falando um pouco de solidão e isolamento.
Os guardiões de Towa, personagens jogáveis, eram daquele vilarejo, mas pela missão de guardião eles ficam isolados das interações diretas com o vilarejo. O jogo não aprofunda, mas tem vários momentos em que esse afastamento que os personagens tiveram da vila se mostra algo que afetou os personagens de variadas formas. É engraçado que, ao mesmo tempo que a mecânica de sacrifício é mais leve do que esperava inicialmente, me fez pensar sobre outras questões que não esperava.
Towa and the Guardians of the Sacred Tree está longe de ser um jogo perfeito. Ele é repetitivo e um pouco simples demais, mas quando acerta, acerta com muita força. É aquela experiência que talvez não seja sua favorita, mas potencialmente você vai ter um certo carinho por ela se jogar com as expectativas certas.
Towa and the Guardians of the Sacred Tree
Bandai Namco
Brownies inc.
PC, Playstation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch
Confira mais dos nossos conteúdos nas nossas redes sociais!